Rafael Ferreira Rosenhayme pegou o Bonde Andando em 3 de outubro de 1978, no Rio de Janeiro. Desde então vem tentando, sem sucesso, assumir o comando da viagem.
Enquanto isto não acontece, costuma trabalhar como analista de marketing, namorar, beber chope com os amigos, ir ao cinema, ler, ouvir música, sair à noite, ir à praia, fotografar e, de uns tempos para cá, colocar no ciberespaço um pouco daquilo que vê pela janela durante o trajeto.
Esta página não pretende tratar do cotidiano deste ilustre desconhecido, mas de suas impressões e opiniões sobre as coisas que acontecem pelo caminho. Para os que decidiram seguir, boa viagem.
rango Tagliolini al nero di sepia con salmone affumicato Da Brambini
livro Bebê: manual do propritário Joe Borgenicht e Louis Borgenicht
livro Paraísos artificiais Charles Baudelaire
cinema O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias Cao Hamburger
cinema Os Infiltrados Martin Scorsese
show New Order Vivo Rio
cinema Volver Pedro Almodóvar
música Gulag Orkestar Beirut
cinema Pequena Miss Sunshine Jonathan Dayton e Valerie Faris
Aberto a novas experiências? Consegue não se manter no controle do que vai ouvir? Então de uma testada no Musicovery. Diga em que mood está ou aponte o rítmo que quer escutar e deixe o resto com ele. Boa viagem. |
Novembro 28, 2006
18:57 .. Golpe baixo
Ontem recebi uma carta da WCF Fundação de Assistência à Criança. Não conheço a entidade e nada posso afirmar sobre sua idoneidade. Não sei se fazem um bom trabalho ou se fazem parte de algum esquema de estelionato como o desmontado pela polícia recentemente. Mas achei péssima a estratégia deles para conseguir doações. Uma carta com a triste história de uma menina, fotos de crianças doentes e, o mais apelativo, etiquetas adesivas com meu nome e endereços impressos. Tudo isso acompanhado de um boleto bancário, claro.
Concordo que crianças com câncer e sem renda precisam de ajuda, mas acho que usar a imagem delas e de seu sofrimento para me comover uma tática baixa demais. E por isso, no meu caso, ineficiente. Penso que o custo de produção e o envio desses materiais poderia ser revertido em remédios, alimentação e outras coisas mais úteis. Será que o uso da dor alheia consegue comover muitos corações e bolsos? |
Novembro 27, 2006
16:41 .. O público e a privada ou quando acabar o chato sou eu
Sábado fui assistir a O ano em que meus pais saíram de férias. Nada de filas, sala quase vazia, quase perfeito. Quase porque, se uma andorinha só não faz verão, basta um vizinho chato no cinema para sua vida virar um inferno. E um chato nunca é pouco, mas naquela noite dois eram chatos demais. Um à frente, outro atrás num sorround horrível, incômodo estéreo.
Resumo da ópera: futum de pizza tomando conta do ambiente; celulares tocando algumas vezes durante o filme; celulares sendo atendidos, com direito a conversas longas, durante o filme - nesta parte tenho que fazer um adendo: depois da última ligação, o sujeito, se achando na razão, ainda deu uma justificativa estúpida, também em voz alta, para atender o telefone; comentários idiotas em voz alta; pedidos de tradução das partes faladas em iídiche no filme; isso e várias outras coisinhas irritantes que tomariam o resto do dia para serem descritas.
É cada vez mais freqüente a confusão entre público e privado na sociedade. Pessoas no cinema acham que estão vendo DVD em casa. Pessoas acham que a rua é delas e não dão seta nem a mínima para quem vem atrás. E o pior é esse tipo de gente, que se espalha como um vírus, acha que está com razão. Eu é que estou errado por pedir para o sujeito desligar o celular dele. Eu que sou o chato porque peço silêncio no cinema. Eu que sou o filho da puta porque buzinei para um cara que avançou o sinal e entrou perigosamente na minha frente. É a famosa inversão de valores. Pelo menos a mulher do carinha do celular me pediu desculpas pelo ocorrido, mostrando que, diferente de seu acompanhante, ela ainda pode ter salvação. Quanto a mim já não sei, pois me sinto um velho ranzinza por ter tanto do que reclamar. |
Novembro 24, 2006
20:01 .. Quebrando a firma
Na coluna do Ancelmo Góis publicada n'O Globo de ontem duas notas falavam da queda da renda dos jovens que trabalham para o tráfico de drogas. Os dados são de uma pesquisa feita pela ONG Observatório das Favelas. Entre as possíveis causas apontadas para tal diminuição estão a competição com as drogas sintéticas e o medo da classe média de visitar as bocas nas favelas. Com menos dinheiro no bolso, o pessoal parte para a diversificação das atividades para manter o padrão. Resultado: aumentam os outros tipos de crime.
Sufocar o tráfico não tem se mostrado uma maneira eficiente de combate à violência no Rio de Janeiro. O pior é que estamos dando murro em ponta de faca há anos. E a coisa só piora. Nem sei porque escrevi isso, mas não dava para nã oescrever. Se a legalização é polêmica ou até mesmo utópica para os dias de hoje, alguma outra políticia pública mais inteligente deve ser aplicada com urgência. Só (mais) um desabafo. E voltemos às banalidades. |
Novembro 22, 2006
17:39 .. Frase do dia
Nós não poderiamos deixar de investigar isso. Se você faz um baseado de meio quilo com cannabis sativa, você definitivamente cruzou a linha da lei.
Não, esta frase não foi retirada de um filme de Cheech & Chong. Nem de um policial B da década de 70 estrelado por Burt Reynolds. Segundo esta notícia, a pérola foi dita por um policial holandês ao frustar um grupo de pessoas que tentava acender um singelo baseado de meio quilo de maconha. Coisa pouca, cerca de 1,5m de charro.
Imagino que o trabalho da polícia não tenha sido muito difícil. A missão de juntar matéria prima e mão de obra para montar esse origami de Jah deve ter sido muito pouco sigilosa. Quase posso ver o Mané Bandeira no comando da ação. Para quem não conhece, o personagem é parceiro do Capitão Presença, ambos criação de Arnaldo Branco. |
Novembro 21, 2006
14:50 .. Pontualidade britânica
Se alguém resolver dar um rolé de máquina do tempo e chegar em Londres no ano de 1888, tome cuidado com o sujeito da imagem aí ao lado. Trata-se do retrato falado de Jack, o estripador, divulgado pela polícia inglesa esta semana. Famosa por seus chapéus ridículos, pelo jogo da Grow e pelo extermínio de imigrantes no metrô, a Scotland Yard demonstrou que a agilidade também é uma de suas características.
Enfim, os súditos da Rainha podem dormir um pouco mais tranqüilos a partir de agora. O famoso criminoso - quiçá o mais famoso de todos eles - já tem um rosto. Ou melhor, como é moda dizer nos dias de hoje, um "suposto" rosto. Se cruzar com ele, é só atravessar a rua. |
Novembro 17, 2006
18:52 .. Buzz
Esta semana, a maioria das pessoas que pega o Bonde Andando deve ter recebido, pelo menos uma vez, o link para o vídeo do Dado Dolabella no programa do João Gordo ou o da menininha mandando o Silvio Santos enfiar o bambu no cu. O gráfico abaixo mostra a força do burburinho causado. Notem como escreveu-se muito mais que a média sobre os assuntos. Agora é ficar de olho para ver até quando os ecos serão ouvidos na blogosfera.
Esta ferramenta interessante de "medir buxixos" está disponível no Blogpulse, site usado pela Nielsenbuzzmetric para demostrar o que eles estão fazendo para monitorar resultados em mídias geradas pelos consumidores. E aí fica a dúvida: o poder está cada vez mais perto ou mais longe de nossas mãos? |
Novembro 16, 2006
18:54 ..
Amo a liberdade. Por isso, deixo livres as coisas que amo. Se voltarem, foi porque me sempre pertenceram. Se não voltarem foi porque nunca as tive. - autor desconhecido.
A frase é piegas, eu sei. Mas foi dela que me lembrei quando visitei o site do - ótimo - filme Pequena Miss Sunshine. Por incrível que pareça, tem muito site por aí que evita linkar conteúdos que não estejam em sites da mesma organização ou grupo. Ficam fechados em seus mundinhos. No site da produção da Fox Searchlight isso não acontece. Há links para Wikipedia, My Space, Ebay e alguns mais. Todos com conteúdo pertinente ao universo do filme. Ou seja, todos prestando serviço e agregando informações interessantes aos visitantes. Me senti tão livre, leve e solto no site que tenho voltado nele de vez em quando. |
Novembro 14, 2006
17:40 .. Is your Betty ready?
Depois do brazillian wax, uma nova moda chega para mexer nas intimidades das novaiorquinas. Lançada há pouco tempo, Betty Beauty é uma linha de tinturas para os pêlos pubianos ou, como diz a assinatura da marca: color for the hair down there.
Um artigo publicado na Ad Age fala de onde Ms. Jarecki, dona da empresa, tirou a idéia do produto e de como ela, com pouca verba gasta em publicidade - menos de US$ 2 mil -, conseguiu espalhar sua marca, chegando ao programa do Jay Leno e aqui ao Bonde. Ah, lá ele diz também de onde veio o nome Betty. |
10:42 .. Amadurecimento
Ontem os comunistas chegaram ao poder no Brasil. Curiosamente, não houve derramamento de sangue. De nenhum dos lados. |
Consultei o site da Receita Federal para saber se haviam liberado minha restituição do IR. "Sua declaração ainda está na base de dados" - disseram. Medo. Mais assustador que a mordida do leão é a tal da malha fina. Sei que ainda há esperança, um último e derradeiro lote no mês que vem. Mas não consigo me livrar da idéia de que pode dar merda e acabo sofrendo por antecipação.
Ainda nem declarava renda quando ouvi falar da malha fina pela primeira vez. Desde então tenho receio de encará-la e fico imaginando como seria desagradável a situação. A primeira coisa que me vem à cabeça é uma sala de interrogatório como a dos filmes policiais americanos. Uma daquelas em que a única iluminação é a de uma lâmpada que fica sobre onde eu estaria sentado. O tira mau, sumindo no escuro e voltando em seguida para me perguntar onde eu estive numa noite qualquer de 2005. O tira bom pedindo para seu colega pegar leve, mas intimidando-me com um bolo de notas ficais, citando leis que nem sei se existem.
Delírios à parte, ter de reunir uma pilha de documentos e enfrentar a burocracia brasileira me assusta. Fiz minha declaração toda certinha, mas não custa nada alguém errar na Receita e fuder minha vida. Mordem uma parcela gigantesca da minha renda e demoram uma vida para devolver o que pegaram a mais. E o pior de tudo é que é uma merreca!
O leão só morde o bumbum de pobre E o rico é que explode a boca do balão |
Novembro 08, 2006
16:57 .. Internet Novela Database
Não me perguntem o porquê, mas entre as MP3 que tenho no meu HD do trabalho está o crássicoFeira de Acari, do grande MC Batata. Coloquei o batidão para o pessoal aqui do departamento escutar. Num exercício coletivo de arqueologia cerebral acabamos lembrando que a música tinha feito parte da trilha sonora da novela Barriga de Aluguel, primeiro grande sucesso da polêmica Glória Perez.
Seguindo raciocínios hipertextuais, fomos lembrando dos personagens, de Humberto Martins, Vitor Fazano, Kassia Kiss, Cláudia Abreu, de José Augusto e sua insuportável música Agüenta Coração. Resolvemos partir para Google atrás de outras informações tão ou mais inúteis. Chegamos ao incrível site Teledramaturgia. Ficamos uns bons minutos nos perdendo entre novelas de nossa infância, como Vereda Tropical, Dona Beija e a Gata Comeu. Lá tem novelas de todas as décadas, de todos os canais, organizadas de várias maneiras para facilitar as pesquisas. Mesmo que você não seja noveleiro, vale como registro. |
16:52 .. Blogueiros unidos jamais serão vencidos - ou me engana que eu gosto
Depois de todo esse burburinho criado em torno do absurdo projeto do senador Azeredo aqui no Bonde, o Senado acabou retirando o projeto da pauta de votação de hoje. Renan Calheiros (PMDB-AL), que toma conta do lojinha, disse que "é preciso ampliar os debates sobre o tema, com a participação de especialistas, usuários da internet e criminalistas". Portanto, este escriba aqui permanecerá vigilante e de olho vivo nos desdobramentos do assunto. Enquanto isso, voltemos à programação normal. |
Novembro 07, 2006
16:53 .. Nome aos bois
É bom que fique claro uma coisa que esqueci de mencionar: o autor do projeto que exige identificação para acesso à Internet é o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Se este nome não lhe parece estranho, pode ter certeza de que não é mesmo. Até onde se investigou, ele é pai do famoso Valerioduto.
Do jeito que estão querendo "ilegalizar" hábitos cotidianos de qualquer internauta, e melhor ir se familiarizando com a linguagem do cárcere. Mais cedo ou mais tarde pode ser preciso usá-la. Esse dicionário malandrês-português é de grande valia para estes momentos de incertezas.
Caso tudo corra bem e sejamos condenados à liberdade, as expressões e gírias são ótimas para quem tem pretensões lietrárias ou escreve roteiros. |
Novembro 06, 2006
16:19 .. Vigiar e punir
Projeto quer controlar acesso à internet. Se for aprovado, o sujeito tem que ser selado, registrado, avaliado, rotulado se quiser navegar pelo ciberespaço. Nome, endereço, CPF, telefone, sua vida, enfim. Caberia aos provedores cobrar os dados e verificar a veracidade deles - ou a nossa existência. O não cumprimento da lei pode ser punido com xilindró pelo período de dois a quatro anos. Pena maior do que a aplicada a quem "recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, negando-se a servir, atender ou receber cliente ou comprador" por causa de sua cor ou raça (sic) - um a três anos de cadeia.
Somando essa criminalização à caça que tem sido feita aos "baixadores" de música, a tendência é que o sistema carcerário brasileiro fique ainda mais lotado. E como atualmente a palavra de ordem é a Web 2.0, posso imaginar uma enorme possibilidade de colaboração entre os presos comuns e os ciber-presos. Seguindo a onda que começou em Ilha Grande, onde presos comuns e políticos se juntaram, poderíamos estar diante das Facções 2.0. Paz, justiça e liberdade em carne e osso, zero e um.
Fraudes com cartões de crédito financiando fugas em massa. MP3 de proibidões baixadas ilegalmente para alimentar iPods roubados. Além de celulares, laptops. E assim estariam formadas as redes. Blogues direto das prisões. Depois de Bruna Surfistinha, poderemos acompanhar o cotidiano de Tonhão Fura-Bucho, com direito à webcam e tudo. |
Novembro 05, 2006
21:59 .. Horário de verão
O grande mal do horário de verão é que quando você se acostuma, ele acaba. Entendo sua função econômica, mas para minha vida ele traz mais prejuízos do que lucros. Talvez mudasse de idéia se morasse em frente a uma praia limpa e saísse do trabalho às 17h. Mas vivo em frente a uma praia sem condições de banho - pelo menos para pessoas que tenham o mínimo de amor próprio e higiene - e saio do trabalho às 19h, na melhor das hipóteses.
Nos primeiros dias então, é uma merda. Agora mesmo eu deveria estar dormindo, mas Zé Pestana, que não usa relógio, ainda não deu as caras. Só que amanhã cedo o meu relógio certamente me acordará. Pronto, uma hora perdida. O início de pequeno jet leg que me acompanhará por alguns meses. |