Rafael Ferreira Rosenhayme pegou o Bonde Andando em 3 de outubro de 1978, no Rio de Janeiro. Desde então vem tentando, sem sucesso, assumir o comando da viagem.
Enquanto isto não acontece, costuma trabalhar como analista de marketing, namorar, beber chope com os amigos, ir ao cinema, ler, ouvir música, sair à noite, ir à praia, fotografar e, de uns tempos para cá, colocar no ciberespaço um pouco daquilo que vê pela janela durante o trajeto.
Esta página não pretende tratar do cotidiano deste ilustre desconhecido, mas de suas impressões e opiniões sobre as coisas que acontecem pelo caminho. Para os que decidiram seguir, boa viagem.
rango Tagliolini al nero di sepia con salmone affumicato Da Brambini
livro Bebê: manual do propritário Joe Borgenicht e Louis Borgenicht
livro Paraísos artificiais Charles Baudelaire
cinema O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias Cao Hamburger
cinema Os Infiltrados Martin Scorsese
show New Order Vivo Rio
cinema Volver Pedro Almodóvar
música Gulag Orkestar Beirut
cinema Pequena Miss Sunshine Jonathan Dayton e Valerie Faris
Primeiro foram os canibais. Num curto espaço de tempo eles foram personagens de dois comerciais de TV: um da maionese Hellmans - retirado do ar por ser considerado racista - e outro do CrossFox, da Volks. Agora é a vez dos pesadelos tomarem conta do inconsciente coletivo da publicidade brasileira. Estão no ar dois filmes também muito parecidos. Um é da Oi, com Ronaldinho Gaúcho como protagonista. O outro é do Guaraná Antartica, estrelado por Diego Maradona.
No primeiro, o craque do Barça está dormindo quando seu celular toca. O Ringtone é aquela musiquinha de torcida: "... com muito orgulho, com muito amor". E no sonho do jogador, ele se vê atuando pelas seleções do México, Itália e Espanha. De repente ele acorda, atende o telefone e comenta sua experiência onírica com a pessoa do outro lado da linha. O segundo começa com alguns atletas da Seleção Brasileira cantando o Hino Nacional antes de um jogo. Como de costume, a câmera vai mostrando os rostos de cada um. Passa por Kaká, pelo Fênomeno e chega a Maradona. Don Diego acorda assustado, trajando sua camisa azul e branca da Argentina e fala que tem que beber menos guaraná, com a câmera passeando para a lateral da cama e nos deixando ver algumas latas da bebida sobre o criado mudo.
Será que esses roteiros são idênticos apenas por obra do acaso? Ou o acaso não existe, leia Kardec e uma das agências (NBS da Oi e Duda Propaganda da Ambev) psicografou o roteiro da outra? Nesse caso, resta saber quem roubou a idéia de quem. E eu que fui estudar propaganda por pensar que era um ramo para pessoas criativas. |
22:17 .. Vale a pena ver de novo
Para quem já passou ou está beirando os 30, segue um dos momentos clássicos da TV Brasileira. Quem viu isso não esquece.
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21:52 .. A pedidos
Segue uma participação mais que especial no Bonde. Com vocês, Karina em um momento "crítica gastronômica":
Hoje, eu, uma dos três leitores, estou pegando uma carona neste bonde para falar do almoço da sexta-feira santa. Desculpem o atraso, mas o motoneiro não parou para eu escrever isto a tempo... Íamos almoçar com o futuro sogro(?) do "dono" deste blog no Siri do Galeão, mas como ninguém queria lavar louça, a fila estava de matar, literalmente de fome quem nela aguardasse, então meu pai sugeriu que fôssemos ao Capitania dos Copos, em Tubiacanga.
Não poderia ter havido escolha melhor. O restaurante estava cheio mas assim mesmo conseguimos uma boa mesa. Até a chegada do prato principal - Robalo grelhado com molho de frutos do mar - esperamos cerca de 1h na companhia de uma boa cachacinha de Salinas(na verdade foi o Rafa quem bebeu) e de uma casquinha de siri. Ainda não satisfeitos, pedimos uma porção de bolinhos de siri(dos deuses, macios, saborosos...)
O papo ia muito bem regado com cerveja de garrafa, Bohemia, se não me engano, pois eu fui de tônica diet mesmo, completamente "addicted". Quando o prato principal chegou tivemos a continuidade de boas sensações, com uma posta bem servida (afinal era 1 prato para 3 famintos...), com um ótimo molho, e até o purê de batata estava ótimo (o melhor é o lá de casa).
Bem, para não me estender, o almoço foi maravilhoso, a troca foi mais que justa e a continuação do dia foi bem devagar, pois pra digerir tamanha gostosura só com uma boa sesta... |
Abril 18, 2006
23:32 .. Mofo
Esse blog está quase mofando porque ainda não me adaptei a este novo horário de atualização. Meu cérebro já está meio desgastado quando chego à casa. E para piorar a situação, deu um problema qualquer aqui no Windows XP e ele não consegue carregar mais o perfil de usuário que tinha instalado. Ou seja, cada vez que ligo o computador tenho que configurar um monte de coisinhas pequenas. Se alguém aí souber o que posso fazer para corrigir o problema é só colocar no comentário. Desde já agradeço.
Para evitar traças e teias de aranha, tô escrevendo aqui para avisar que coloquei umas fotos no Flickr. A partir de agora vou continuar escrevendo durante o dia e depois publicarei ao chegar à casa. Espero que funcione melhor assim. |
Abril 12, 2006
00:51 .. Novo horário do Bonde
Queridos três leitores e eventuais passageiros, travaram o acesso ao Blogger lá no trabalho. A coisa começou com o Orkut, passou pelo Hattrick e agora chegou no publicador. Parece que um funcionário satisfeito vale menos que um funcionário que perde alguns minutos de seu dia blogando. E olha que eu trabalho com internet. Mas não vou entrar no mérito de que ter acesso a essas ferramentas é importante para o meu trabalho. Isso é bobagem. O que eu queria dizer mesmo é que agora as atualizações do Bonde serão noturnas. Mas continuem voltando aqui sempre que quiserem. |
Louco, doido, biruta, 22, lélé-da-cuca, pirado, pancadinho, tan-tan. Beleza ou não, todo mundo já conheceu algum maluco. Recordo de vários. Waldir, um cara que devia ter uns 14 quando eu tinha uns sete ou oito, morava no condomínio da minha avó e era aficionado por aviões. O maluco do sim, que perambulava pela Ilha do Governador e vivia um grande conflito entre o bem e o mal: ora desenhava o rosto de Jesus e escrevia frases falando de amor, da beleza da inocência das crianças e de passagens do evangelho; ora encarnava o próprio capeta e gritava SIIIM!!, seguido de discursos pró-satã em várias línguas, algumas delas provavelmente inventadas. Tinha também o biscoito, um senhor que andava por todo o bairro e ficava puto quando as crianças o chamavam pelo apelido e saíam correndo. Obviamente isso acontecia a toda hora. Crianças podem ser muito cruéis. Havia o Profeta Gentileza, que era - e ainda é - famoso em toda a cidade por causa de suas pregações escritas nas pilastras de sustentação do elevado do gasômetro. Não posso me esquecer de Joe Romano, poeta, paciente do instituto Pinel e autor da frase "não jogue sua loucura fora, ela é real", que morreu atropelado no Aterro do Flamengo, se não me engano em 2000. E o Biriba e o velho gordo que vendia santinhos na Praia da Bica e o Benedito que era flamenguista doente e vários outros. Você deve ter sua lista de malucos.
Lembrei de todos eles quando li sobre o 1º Festival da Loucura, evento realizado entre os dias 30/03 e 02/04 pela prefeitura de Barbacena, cidade conhecida como "a dos loucos" por conta de abrigar um dos maiores manicômios do país. A iniciativa surgiu para dar mais visão ao que vem sendo feito nos últimos anos na cidade. Durante décadas, o Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena foi um verdadeiro déposito humano. Pessoas que não se enquadravam acabavam sendo trancafiadas lá. Recebiam eletrochoque, muitos sofreram lobotomias e todos recebiam tratamento desumano. Estima-se que 60 mil pessoas tenham morrido sob tutela da instituição. Mas as coisas mudaram e o muncípio é hoje uma das referências no país do movimento antimanicomial, que busca uma nova abordagem no tratamento dessas pessoas diferentes da maioria. Respeito, integração social e autonomia dos pacientes são as palavras-chaves.
Muitos dos que mudaram a forma de se ver o mundo em suas épocas foram taxados de doidos. Acho que por isso sempre me interessei pelos loucos. Ou talvez o interesse seja para entender porque sou um pára-raio de malucos. Eles sempre acabam chegando a mim. Só sei que adoraria ter participado do evento. Imagino quantas fotos maravilhosas poderia ter tirado, retratando o lado alegre da loucura. Quanta gente interessante poderia ter conhecido e o quanto poderia ter aprendido, principalmente sobre diferenças. Pena que fiquei sabendo do festival um pouco tarde, quando li uma reportagem na Carta Capital desta semana. Pesquisando pela internet achei um texto interessante do Zuenir no No Mínimo. O jornalista esteve na cidade e fala um pouco do que rolou. Apresentações de artistas que não podem ser chamados de convencionais, como Lobão, Tom Zé e Hermeto Pascoal; exibições de filmes como "Bicho de sete cabeças" e "Um estranho no ninho"; desfile do "Tirando a máscara", bloco carnavalesco de pacientes do CHPB; exposição de obras de artistas tidos como loucos; debates e palestras, entre elas uma que falava das fronteiras da loucura e da genialidade. No site da prefeitura é possível ver galerias com fotos do evento e de obras expostas. Vai ser maluco de não ver? |
Abril 06, 2006
18:10 .. Outros feriados
Na mesma linha da minha idéia do texto aí de baixo, um pessoal que faz o vlog Batendo Bola lançou a campanha dia de jogo do Brasil é feriado. Veja o vídeo, baixe o wallpaper e faça sua parte na luta por um mundo mais ocioso. |
16:22 .. Leis que pegariam - a do Feriado Pessoal
Tem dias nos quais tudo o que a gente menos quer é trabalhar. Hoje, por exemplo, o almoço aqui na empresa foi feijoada e estou numa lombeira braba, batendo cabeça na frente do monitor. Nessas ocasiões deveríamos poder decretar Feriado Pessoal. Estou pensando em redigir um projeto para enviar ao Congresso. Todo cidadão teria o direito a duas datas de sua livre escolha, uma em cada semestre, para exercer o ócio em sua plenitude. As pessoas não podem ter seus salários descontados, mas precisam avisar a quem for necessário pelo menos um minuto antes de decretar o Feriado Pessoal. Estão vedados quaisquer tipos de compensação posteriores de horário no trabalho. Não é necessária a apresentação de motivos para se decretar Feriado Pessoal.
Comeu muito e quer esticar-se numa rede até cansar? Exerça seu direito! O dia está lindo e você quer mais é dar um abraço em Iemanjá? Exerça seu direito! Os amigos vagabundos marcaram um churrasco para assistir àquele jogão do Barcelona? Exerça seu direito! Acordou de mau humor, está a fim de ver TV, flanar pela cidade, pegar um cineminha à tarde, brincar com seus filhos, fazer um piquenique, rodar de carro por aí, subir o Pão-de-Açúcar, se empaturrar numa churrascaria rodízio, terminar aquele livro, tomar banho de chuva, ir num pesque e pague, encher a cara, curar uma ressaca, jogar video-game, ver o relógio andar? Não pense duas vezes e exerça seu direito!
Estou começando a juntar as idéias e aceito sugestões para o texto. Desde já começo a fazer a campanha para coletar assinaturas para um abaixo-assinado em favor do Feriado Pessoal. Os interessados podem entrar em contato nos comentários aí embaixo. Exerça seu direito! |
Abril 05, 2006
13:43 .. Você faz xixi na cama?
Acordei com uma notícia triste hoje. Morreu George Savalla Gomes, mais conhecido como Palhaço Carequinha. Ele alegrou minha infância e a dos meus pais. Infelizmente meus futuros filhos não terão a oportunidade de gargalhada com ele. Só espero que até lá não restem apenas as piadinhas de duplo sentido e cheias de sacanagem do Zorra Total. |
Abril 04, 2006
19:04 .. Domingueira cultural
De vez em quando é bom dar um passeio pelos centros culturais e museus da cidade. No domingo e fiz um circuito bacana: comecei pelo MAM, passei pela Casa França-Brasil e segui para o CCBB. Ainda tentei assistir a O plano perfeito, de Spike Lee, mas a sala de cinema lotada acabou me levando para o Horto, onde acabei esbarrando, por acaso, no chorinho do Da Graça, finalizando bem o dia com cervejas e petiscos.
A primeira exposição do dia foi a de Roy Lietchenstein. Havia estudos, desenhos e colagens. Nenhuma obra concluída estava lá. Tudo bem que é interessante ver um pouco do processo de criação do cara. Tudo milimetricamente estudado, um trabalho meticuloso e muito bem feito. Mas faltaram obras concluídas, nem que fosse apenas uma para mostrar o resultado final daquele esforço ali exposto, um grand finale. Ainda no MAM, vi duas outras exposições. Sempre esteve aqui, uma série de fotos e imagens do Pão-de-Açúcar, produzidas em diversas épocas. E Casas de Alvar Aalto, com maquetes, desenhos arquitetônicos e móveis feitos pelo arquiteto modernista finlandês até então desconhecido para mim.
Na Casa França-Brasil, fotos. No salão principal, Nowhere Anywhere - Photographies 1970-2005, do alemão Peter Klasen. São dezenas de retratos de caminhões, ferros-velhos, vagões de trens e vários outros objetos industriais capturadas nos últimos 35 anos e que serviram de base para obras do artista plástico/fotógrafo. Klasen parece colocar alguma ordem no caos da profusão quase infinita de imagens a qual somos submetidos diariamente. Esse olhar diferente sobre o habitual resulta em belos grafismos. Nas salas laterais, a exposição Foto + 2005, uma coletiva de jovens artistas (Adair Aguiar, Ana Paula Albé, Chico Fernandes, Daniela Dinkelmann, Isabel Löfgren, Julieta Roitman, Marcos Abreu, Roberta Barros, Rodrigo Maia e Tiago Rivaldo) do Rio. Também bastante interessante, com narrativas, técnicas e temas diversos e muito bem realizados.
A primeira surpresa agradável do dia aconteceu no CCBB. Fui lá para ver a exposição Erotica - Os Sentidos da Arte, mas acabei saindo dela ainda na primeira sala por causa da tentativa frustrada de ir ao cinema. Mas antes de subir para o salão, dei de cara ainda no primeiro andar com Arena México - Sem Limite de Tempo, uma exposição do mexicano Demián Flores sobre o mundo do tele catch. Usando gravuras, serigrafia, colagem e outras técnicas, ele retrata ícones e símbolos daquelas lutas claramente armadas às quais assisti quando criança na TV. Além de plasticamente bonitas, as imagens me fizeram lembrar de como era um barato aquele duelo teatral entre o atleta bonzinho e o trapaceiro. Um parêntese: sobre esse mundo do catch, Roland Barthes faz uma ótima análise em Mitologias.
Como já disse, o cinema estava lotado. Fim de semana com o tempo esquisito no Rio dá nisso. Mas isso acabou me levando para a segunda surpresa agradável do dia: início de noite com chorinho, cerveja e petiscos interessantes. Fui para a Pacheco Leão para tentar beber e beliscar no Jardins (antigo Dom João), mas o restaurante estava fechando. Partí para outra esquina, onde fica o Da Graça. A troca forçada foi ótima. Não é um lugar barato, mas tem um cardápio criativo e gostoso. Para abrir os trabalhos, Karina, minha patroa, escolheu carne de sol com gergelim e teryaki. Mandou bem. Depois partimos para a pizza. É feita com massa de tapioca e pode ser recheada com vários sabores. Escolhemos shiitake com tofu grelhado. O manjericão roubava um pouco o gosto, mas tava bacana. Cortada à francesa acompanhou bem minhas Bohemias. Meu camarada Sansão e sua senhoura Ana Pow pediram uns bolinhos de arroz recheados de gorgonzola bem apetitosos. Vinham acompanhados de um molho de frutas com cravo que dava um toque especial. De sobremesa, sorvete de queijo com calda de goiabada cascão. E tudo isso servido por um garçon anão, que além de dar ao local estabelecimento um toque diferente, nos prestou um ótimo atendimento.
O próximo programa-cabeça vai ser a exposição do Miró no MAC, em Niterói. Depois falo como foi. Ou não. |