bonde andando
porque tudo na vida é passageiro, menos o cobrador e o motorneiro
o passageiro
Rafael Ferreira Rosenhayme pegou o Bonde Andando em 3 de outubro de 1978, no Rio de Janeiro. Desde então vem tentando, sem sucesso, assumir o comando da viagem.

Enquanto isto não acontece, costuma trabalhar como analista de marketing, namorar, beber chope com os amigos, ir ao cinema, ler, ouvir música, sair à noite, ir à praia, fotografar e, de uns tempos para cá, colocar no ciberespaço um pouco daquilo que vê pela janela durante o trajeto.

Esta página não pretende tratar do cotidiano deste ilustre desconhecido, mas de suas impressões e opiniões sobre as coisas que acontecem pelo caminho. Para os que decidiram seguir, boa viagem.
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Março 31, 2003


link permanente para este texto23:58 ..
O caos e o Rio
Segue a onda de violência no Rio. Neste fim de semana teve jovem baleado em tentativa de assalto, outro morto por bala perdida, ônibus queimado, bomba em shopping, uma barbárie. Domingo teve missa lotada na Tijuca em homenagem à menina morta no metrô semana passada. Até a irmã de Tim Lopes estava lá, junto com outros parentes de vítimas do que a mídia está chamando de "nossa guerra".

Respeito muito e entendo o sofrimento pelo qual estas pessoas estão passando, bem como suas manifestações públicas de repúdio ao atual estado caótico que tomou conta de nossa cidade. Mas acredito que esses "protestos pela paz" servem apenas como catarse coletiva, nada mais.

Como diz o enunciado da Teoria do caos, "dado um sistema dinâmico, qualquer mínima alteração nas suas condições iniciais, pode produzir imensas alterações nas condições finais." Com base nisso, a declaração do pai de uma das vítimas deste fim de semana ao jornal O Globo nos ajuda a compreender melhor a atual situação .

- Precisamos de um desarmamento já. Infelizmente, a violência não está mais somente na periferia. Está em toda a cidade, inclusive em bairros de classe média, como a Tijuca. Isso é revoltante - desabafa o médico Paulo Marçal, pai de Vinícius e diretor do Hospital Souza Aguiar, onde o estudante está internado.

Ou seja, enquanto estava só na periferia, tudo bem. Esse é o pensamento da maior parte da classe média carioca há anos. Estas "imensas alterações" na ordem dos dias de hoje são reflexo do descaso da sociedade no "estado inicial" da formação destas periferias. E o pensamento não muda. Em sua coluna desta segunda-feira, Ancelmo Góis publica resultado de pesquisa mostrando que 55,8% dos moradores da cidade são a favor da pena de morte. Entendo que o calor dos acontecimentos faz com que as pessoas se apressem em chegar a soluções aparentemente fáceis, mas um extremo como este é muito perigoso.

Em primeiro lugar, devemos considerar que nos países em que é aplicada, a pena capital não ajudou a diminuir as estatísticas de violência. Outro aspecto a se considerar é que, no Brasil, a polícia não cumpre bem seu papel investigativo, o que acabaria por resultar em inúmeras execuções de inocentes. É também uma enorme contradição querer acabar com a violência usando violência, legalizando o homicídio estatal. Cabe ainda a pergunta: caso fosse instituída a pena, seriam condenados apenas os "ladrões-de-galinha" que tentam roubar 700 pratas de uma estação de metrô ou também os "tubarões-sem-nome" que faturam milhões com o tráfico de drogas e armas no país?

Os maiores inimigos públicos de hoje são Fernandinho Beira-Mar - com relação à situação deste, Daniel Sansão fez um ótimo comentário em seu blog - e os membros de sua quadrilha. O ministro da justiça, Márcio Thomaz Bastos, mandou bem ao afirmar que a imprensa está transformando o traficante em "pop-star", o que só lhe confere cada vez mais poder. Tá na hora de um jornalismo menos sensacionalista e mais profundo, trazendo à sociedade elementos para uma discussão mais séria, a fim de que soluções definitivas possam ser encontradas.

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Março 28, 2003


link permanente para este texto21:30 ..
Rio de Janeiro, cidade hard core
A coisa tá braba mesmo aqui no Rio. Além de ficar atentos à bandidagem que toma conta da cidade, temos de tomar cuidado com quem deveria nos proteger. E não estou falando da polícia, que já tem histórico de fazer besteira - vide caso recente da menina baleada no metrô. Desta vez foi um segurança do shopping Rio Sul que fez lambança. No meio de uma discussão no estacionamento, o cara perdeu a cabeça e acabou atirando num taxista.

Seguranças particulares sempre me deixaram meio preocupados. Dezenas de empresas atuam neste mercado, empregando centenas de pessoas. Mas estas pessoas estão preparadas para receber uma arma? Acho que não. Este não é o primeiro caso do gênero e, infelizmente, não deve ser o último. Não sei a quem cabe fiscalizar este tipo de empresa, mas acho que o deveria fazer com mais rigor.

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Março 27, 2003


link permanente para este texto14:53 ..
Promoção pós-moderna
Desde que me entendo por gente os veículos de comunicação fazem promoções. Lembro-me da raiva que sentia quando o programa dos Trapalhões era interrompido pela Nicete Bruno para anunciar as linhas Cléo. Junte sei lá quantos selos e concorra a um kit com dezenas de cores. A Bandeirantes e a extinta rede de supemercados Leão faziam em conjunto "o Leão bate à sua porta". Quem tivesse algum dos produtos da lista que eles apresentavam - ainda me recordo do Neutral pastoso e da creolina Cresolatum - ganhava um caminhão cheio de compras. Foram muitas, podia perder horas recordando. Mas uma coisa elas sempre tiveram em comum: você ganhava alguma coisa, um produto, uma viagem.

Hoje de manhã estava na fila para tirar cópias na faculdade quando fui surpreendido por uma promoção dos tempos de hoje no rádio. A emissora FM o Dia e a cantora Daniela Mercury estarão sorteando uma lipoaspiração para quem mandar email ou ligar dizendo quando uma de suas músicas tocou na estação. No começo achei que devia ser piada, mas dei uma conferida aqui na internet e vi que é verdade. Surreal. Fico imaginando se uma diabética com obesidade mórbida for sorteada. Como os caras prometem uma intervenção cirúrgica séria para qualquer um sem exames prévios? Nem todos podem se submeter a uma operação dessas, o que torna a promoção uma propaganda enganosa. Daqui a pouco vão estar dando silicone, redução de estômago, coisas assim. Tudo em nome da estética. Eta ditadura braba!

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link permanente para este texto01:08 ..
Inclusão digital
No próximo dia 29, sábado, várias atividades por todo o país celebrarão o Dia Nacional da Inclusão Digital. Aqui na Cidade Maravilhosa o Shopping Cultural Rio e o Comitê pela Democratização da Informática organizarão a aula inaugural do curso de informática para crianças carentes. A sala tem capacidade para 144 alunos, que devem apresentar comprovante de residência para participar dos cursos que serão oferecidos.

Ótima iniciativa, já que a cada dia que passa mais dependemos dos computadores para trabalhar, estudar, sacar dinheiro, viver, enfim. E convenhamos, comprar um computador não é para qualquer um, ainda mais com o dólar valendo em torno de R$ 3,50. Espero que em breve vários daqueles moleques que muitos de nós, por conta do preconceito, olhamos atravessados, com medo, tomem de assalto o ciberespaço e façam também os seus blogues. Talvez assim um número maior de "incluídos" possam se interar um pouco mais do cotidiano dessa gente. E da maneira que mais gostam, sem sair de casa.

Em tempo, o Shopping Cultural Rio fica na Praça Tiradentes 37, Centro. Telefones: (0XX21) 2507-3848 e 2507-3726.

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Março 26, 2003


link permanente para este texto22:28 ..
Internet grátis
Depois de muito tempo longe, volto a por os pés numa redação. Isto mesmo, estou trabalhando. Quer dizer, estou fazendo um frila na GloboNews.com, na editoria de esportes. Apesar de saber que vou ralar em demasia, confesso que estou gostando de matar as saudades do clima dos "bastidores da notícia". Televisões espalhadas por todos os cantos em diversas emissoras, internet de supervelocidade, emails de agências de notícias... Ou seja, em tese - eu disse em tese - este blog será atualizado com mais freqüência. Espero que sim.

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Março 24, 2003


link permanente para este texto23:06 ..
Juiz de araque
Vergonhosa a arbitragem da decisão do Campeonato Carioca entre Fluminense e Vasco neste domingo. O senhor Samir "juiz de" Yarak errou muito e errou feio. Não acredito que o resultado da partida seria outro, mas o cara foi responsável direto pela porradaria que rolou em campo. Aliás, todo o torneio foi comprometido por árbitros ruins. Para resolver este problema, decorrente da politicagem e das falcatruas da federação do Rio, só tem uma solução: bota o Yarak e seu bando - com Eurico e Caixa D´água - para organizar os campeonatos dos presídios do estado. Com essa onda de assassinatos de juízes que assola o país, quero ver um malandro desses garfar uma partida entre o comando vermelho e o terceiro comando, aquela galera para quem tapetão serve só para enrolar X-9 e tacar fogo.

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link permanente para este texto22:30 ..
Política é coisa séria
No Brasil este título não faz muito sentido. Para ajudar a aumentar o descrédito popular, o Partido Liberal do Rio está veiculando uma série de comerciais na tevê. O slogan da campanha é "O Rio levado a sério". Se tem alguma coisa óbvia em propaganda, até para leigos, é que os filmes publicitários devem deixar claro o conceito/benefício do produto/idéia. Você pode até ressaltar mais de um aspecto, fazer um comercial daqueles para ganhar prêmio, que nem sempre são tão claros assim quanto ao que querem vender. Idéias contraditórias, jamais.

Mas parece que o pessoal do PL quer inventar. Os caras pregam a seriedade e usam como personagens, além dos inúmeros bispos-deputados da IURD, a ex-policial e modelo Marinara Costa e o sambista Dicró. A dupla convida as pessoas a se filiarem ao partido. A loira pedindo ajuda para brigar pela cidade e o velho malandro... ah, esse vai na íntegra!

- Depois do ano novo e do carnaval, eu virei liberal. Venha se juntar ao PL, até minha sogra já se filiou.

O PT se meter com o PL, infelizmente, eu até entendo. Afinal, como disse lá em cima, política aqui no Brasil não é coisa séria. Mas até tu, Dicró!?

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link permanente para este texto02:15 ..
Guerra e cinema
Apesar de todo este clima de anti-americanismo, confesso que dei umas olhadelas na cerimiônia de entrega do Oscar. Ainda bem, porque pude ver o discurso de Michael Moore, que levou a estatueta para casa por "Bowling for Columbine", documentário - que passou no Festival do Rio de 2002 com o título de "Tiros em Clumbine" - sobre o livre comércio e a cultura de armas na sociedade americana. Junto com os outros documentaristas que concorriam ao prêmio, o abusado jornalista subiu ao palco e soltou o verbo:

- Gostamos de não-ficção e vivemos em tempos fictícios. Vivemos em um tempo em que temos resultados eleitorais fictícios, que elegem presidentes fictícios. Vivemos em um tempo em que temos um homem nos mandando à guerra por razões fictícias. Que vergonha senhor Bush! Seu tempo acabou, senhor Bush!

Quem conhece a peça desde os tempos da série de TV "The awful truth" não esperava coisa diferente. O discurso do gorducho me fez lembrar que o assunto guerra já gerou ótimos filmes de ficção, alguns até levaram estatuetas de ouro. Segue abaixo o meu top 5:

1- Apocalypse now redux, de Francis Ford Copolla
2 - Nascido para matar, de Stanley Kubrick
3 - Terra de ninguém, de Danis Tanovic
4 - Mentiras de guerra, de Emir Kusturica
5 - M.A.S.H, de Robert Altman

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Março 21, 2003


link permanente para este texto02:36 ..
I Chase The Devil

Max Romeo and The Upsetters

Lucifer son of the mourning, I'm gonna chase you out of earth!
I'm gonna put on a iron shirt, and chase satan out of earth
I'm gonna put on a iron shirt, and chase the devil out of earth
I'm gonna send him to outa space, to find another race
I'm gonna send him to outa space, to find another race

Satan is an evilous man,
But him can't chocks it on I-man
So when I check him my lassing hand
And if him slip, I gaan with him hand

I'm gonna put on a iron shirt, and chase satan out of earth
I'm gonna put on a iron shirt, and chase the devil out of earth
I'm gonna send him to outa space, to find another race
I'm gonna send him to outa space, to find another race

Him haffi drop him fork and run
Him can't stand up to Jah Jah son
Him haffi lef' ya with him gun
Dig off with him bomb

I'm gonna put on a iron shirt, and chase satan out of earth
I'm gonna put on a iron shirt, and chase the devil out of earth
I'm gonna send him to outa space, to find another race
I'm gonna send him to outa space, to find another race

Satan is a evilous man,
But him can't chocks it on I-man
So when I check him my lassing hand
And if him slip, I gaan with him hand

I'm gonna put on a iron shirt, and chase satan out of earth
I'm gonna put on a iron shirt, and chase the devil out of earth
I'm gonna send him to outa space, to find another race
I'm gonna send him to outa space, to find another race


Move ya with your gun
Mi sey fe lef' ya with your bomb...

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link permanente para este texto01:37 ..
Guerra II
Por falar em guerra e mídia, segue um diálogo verídico travado entre mãe e filha - uma criança - num ônibus carioca nesta quarta-feira:

- Mãe, quando é que essa guerra vai começar?
- Hoje, minha filha, logo depois de Mulheres Apaixonadas.




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link permanente para este texto01:28 ..
Guerra I
Por falar em guerra no Iraque, fiquei indignado com o corte que a Globo deu no jogo Vasco x Fluminense para ficar mostrando o Bush se maquiando e lendo o teleprompter antes do discurso. Como qualquer brasileiro sabe - e olha que sou rubro-negro e não tinha interesse passional no jogo -, futebol é muito importante, caso de vida ou morte. Na boa, sei que a guerra é crucial para um novo desenho geopolítico do mundo conteporâneo e tal, mas que diferença faz você ficar sabendo cinco minutos antes ou depois que aquele filho da puta autorizou o ataque? Deixa o jogo rolar e depois mostra tudo direitinho no Jornal da Globo. Ou então manda o locutor do jogo falar "bem amigos da Rede Globo, bombas rolaaaando em Bagdá", ou coisa do gênero. Mesmo porque, em tempos de supervelocidade da informação e tecnologias avançadas de telecomunicação, foi um mico sem tamanho ficar mostrando aquela imagem que mais parecia capturada por uma câmera de monitoramento de trânsito, que por sinal estava bem tranqüilo, sem retenções.

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link permanente para este texto01:12 ..
Hibernando
Andaram dizendo por que o Bonde está morto. Não é verdade. Seria redundante dizer que ele anda paradão. Mas o mundo também está, ou pelo menos estava até ontem. Essa era a impressão que eu tinha ao ler os jornais. Guerra no Iraque - que acabou começando -, Fernandinho Beira-Mar e a violência nas grandes cidades, propinoduto, radicais do PT... sempre a mesma coisa. Claro que tem um contraponto interessante. Durante este tempo sem escrever não parei de passear por outros blogues para lembrar que o verdadeiro dia-a-dia das pessoas, dentro dos limites do possível, vai bem, obrigado. E o mais importante é que vai, não pára.


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