Rafael Ferreira Rosenhayme pegou o Bonde Andando em 3 de outubro de 1978, no Rio de Janeiro. Desde então vem tentando, sem sucesso, assumir o comando da viagem.
Enquanto isto não acontece, costuma trabalhar como analista de marketing, namorar, beber chope com os amigos, ir ao cinema, ler, ouvir música, sair à noite, ir à praia, fotografar e, de uns tempos para cá, colocar no ciberespaço um pouco daquilo que vê pela janela durante o trajeto.
Esta página não pretende tratar do cotidiano deste ilustre desconhecido, mas de suas impressões e opiniões sobre as coisas que acontecem pelo caminho. Para os que decidiram seguir, boa viagem.
rango Tagliolini al nero di sepia con salmone affumicato Da Brambini
livro Bebê: manual do propritário Joe Borgenicht e Louis Borgenicht
livro Paraísos artificiais Charles Baudelaire
cinema O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias Cao Hamburger
cinema Os Infiltrados Martin Scorsese
show New Order Vivo Rio
cinema Volver Pedro Almodóvar
música Gulag Orkestar Beirut
cinema Pequena Miss Sunshine Jonathan Dayton e Valerie Faris
01:32 .. Jesus salva
Que diamba é ótimo remédio para dor de dente todo mundo já sabe. Dos seus efeitos terapêuticos no tratamento de glaucoma, do câncer e da aids também. Mas uma reportagem da edição deste mês revista americana High Times traz uma revelação supreendente: a planta realmente é capaz milagres. Não estou falando no sentido figurado, mas no bíblico - sem conotações sexuais. Segundo pesquisadores da Universidade de Boston, Jesus Cristo usava maconha na preparação do kaneh-bosem, óleo utilizado no banho dos enfermos para curar males como epilepsia, problemas na pele, nos olhos, ou até mesmo menstruais. Esta proximidade com a erva explica, por exemplo, a ópera-rock hippie "Jesus Cristo Superstar". De repente foi também um dos motivos que fizeram este famoso filho de Nazareth ter tido tantos seguidores, vai saber. Ou, mais provavelmente, uma das causas da sua crucificação pelos centuriões romanos, a PM da época. De qualquer forma, a máxima "Jesus salva" nunca fez tanto sentido. |
Janeiro 07, 2003
00:55 .. Salas demais, cinema de menos
Nunca gostei muito destes cinemas multiplex que se espalharam por aí nos últimos anos. Tudo bem, o ar condicionado funciona bem, as telas são grandes e o som é muito bom. Mas sempre achei que o que menos importava nestes lugares eram os filmes. Tanto para grande parte dos espectadores, que freqüentam estes lugares mais para encontrar os amigos, paquerar e fazer algazarra durante a exibição, quanto para os donos dos estabelcimento, que certamente se preocupam mais em vender pipoca e refrigerante a preços abusivos. Abaixo um bom exemplo para sustentar esta hipótese.
Dia desses fui com minha namorada no UCI do New York City Center, na Barra, assistir a "O grande ditador", de Charles Chaplin. Chegamos pouco antes das 23h, horário indicado pelo jornal para o início da sessão. Ainda na inevitável e tradicional fila, olhamos para o monitor para descobrir em que sala o filme seria exibido e...cadê o filme? Será que olhamos errado no jornal e o multiplex era outro? Chegou minha vez e, meio sem graça por pensar que estava no lugar errado e fazendo papel de idiota, perguntei sobre o filme. A atendente começou a procurar no computador sem encontrar. Pegou o prospecto e viu que realmente o filme deveria estar passando, mas não estava no sistema. Chamou um superior que, depois de um tempinho, conseguiu emitir os bilhetes. Por conta disso, perdemos o início do filme. Por sorte ainda estava na primeira cena, mas mesmo assim fiquei revoltado com a desorganização e com o desrespeito.
O filme é muito bom, depois falo dele com mais calma por aqui. Por conta disso, fui abstraindo toda aquela confusão do início. Depois de muitas gargalhadas e momentos de reflexão, meus, da minha namorada e das no máximo oito ou dez pessoas que estavam na sala, a sessão chegou ao fim. Como bons fãs da sétima arte, todos ficamos até o fim dos créditos, que surpreendentemente não foram interrompidos pelo tradicional acender das luzes. A explicação veio logo em seguida. O rolo acabou e a iluminação continuou apagada. Incrédulos, ficamos todos sentados por alguns instantes esperando...e nada. Conformados com o pouco caso, saímos devagar para não rolar escada abaixo, abrimos a porta e fomos embora como se nunca estívessemos ali. E para o pessoal que trabalha no cinema, parece que não estivemos mesmo. Como disse no início do texto, quem gosta de cinema parece não ser bem-vindo nestes lugares. |
Janeiro 06, 2003
22:29 .. Bom começo
Passei o Revéillon de branco. Não sei se para confirmar meu ceticismo ou se para ser castigado por conta dele, meu sonho de paz acabou bem cedo em 2003. No último sábado fui a Ipanema prestigiar o aniversário do camarada Gustavo Almeida junto com outra blogueira, Elis Monteiro, que tive o prazer de conhecer na festa. Fui apresentado também à namorada do aniversariante. Tudo corria bem, conhecendo gente nova, revendo grandes amigos que andavam sumidos - eles ou eu, não sei -, cerveja gelada. Depois de muito rock na veia e álcool no sangue, resolvemos dar um esticada no Cervantes para forrar o estômago com um daqueles maravilhosos sandubas.
Caminhávamos batendo papo, rindo em direção ao carro, que deixei estacionado na Vieira Souto, numa daquelas vagas certas. A descontração teve fim quando chegamos perto do veículo. Infinitos pedacinhos do vidro da porta traseira do lado do motorista brilhavam no chão. Fudeu, pensei, roubaram a merda do meu rádio. Por sorte ele estava lá. Tanto a parte do painel quanto a frente destacável, que sempre deixo escondida - e pude comprovar que bem escondida - no carro. O filho da puta revirou o carro e não levou nada. Mas deixou prejuízo e apurrinhação; também um pouco de filosofia barata, daquelas de livro de auto-ajuda, que nos ensinam a ver o lado positivo das coisas ruins que nos acontecem. Desdenhou ainda - eu agradeço - dos dois CDs que estavam no local do crime: Mano Chao - Clandestino (piratão) e Stevie Ray Vaughan - Live at Carnegie Hall.
Depois de tirar o excesso de vidro do banco - passei uma manhã inteira tirando o restante, mas ainda há um ou outro de recordação no carro -, seguimos para afogar as mágoas no Cervantes, onde ainda tive que dar um troco para o flanelinha evitar outros danos ao carro. Hoje gastei meus dedos, um bocado de saliva e pulsos telefônicos para descobrir onde gastaria menos para consertar o vidro. No fim das contas, "ganhei" um prejuízo de R$ 60,00 e perdi a tranqüilidade de estacionar durante o resto do ano. |
21:03 .. Feliz Ano Novo
Fim do período de recesso. Desejo a todos que pegarem o Bonde Andando uma boa viagem neste ano que começa. |