Rafael Ferreira Rosenhayme pegou o Bonde Andando em 3 de outubro de 1978, no Rio de Janeiro. Desde então vem tentando, sem sucesso, assumir o comando da viagem.
Enquanto isto não acontece, costuma trabalhar como analista de marketing, namorar, beber chope com os amigos, ir ao cinema, ler, ouvir música, sair à noite, ir à praia, fotografar e, de uns tempos para cá, colocar no ciberespaço um pouco daquilo que vê pela janela durante o trajeto.
Esta página não pretende tratar do cotidiano deste ilustre desconhecido, mas de suas impressões e opiniões sobre as coisas que acontecem pelo caminho. Para os que decidiram seguir, boa viagem.
rango Tagliolini al nero di sepia con salmone affumicato Da Brambini
livro Bebê: manual do propritário Joe Borgenicht e Louis Borgenicht
livro Paraísos artificiais Charles Baudelaire
cinema O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias Cao Hamburger
cinema Os Infiltrados Martin Scorsese
show New Order Vivo Rio
cinema Volver Pedro Almodóvar
música Gulag Orkestar Beirut
cinema Pequena Miss Sunshine Jonathan Dayton e Valerie Faris
13:46 .. Natal vermelho
A situação tá braba mesmo. Nem mesmo o clima paz e amor que toma conta das pessoas nesta época do ano foi o suficiente para evitar uma tragédia: atiraram no Papai Noel. Não é uma piada de mau gosto ou algo do gênero, mas a pura realidade. Enquanto distribuía doces para crianças fantasiado de Bom Velhinho nos arredores de Curitiba, Luis Vilmar Martins viu três meliantes se aproximarem de seu carro para roubá-lo e tentou reagir. Os bandidos estavam armados e soltaram o dedo no pobre coitado, que estava acompanhado do filho, que assitiu à cena junto das outras crianças. Quem ainda pensa que é mentira, a íntegra da notícia pode ser lida aqui.
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Dezembro 19, 2002
01:26 .. Sacanagem parlamentar
Por falar em coisas públicas, sensacional esta notícia sobre a programação da tevê do senado americano que li no Uol Tablóide:
Filme pornô é exibido por engano em TV do Senado norte-americano
Da Redação
Em São Paulo
Digamos que você goste de assistir à TV Senado. Pegar um ou outro discurso de nossos representantes, quase sempre extremamente sérios - você só corre o risco de pegar Eduardo Suplicy cantado Bob Dylan em protesto contra a política externa norte-americana, mas nada além disso.
Agora, imagine o susto dos que estavam assistindo a uma rede interna do Senado norte-americano no último dia 6 e se depararam, de repente, com um casal em situação comprometedora. OK, sem eufemismos: era um filmão pornográfico mesmo.
Acontece que um funcionário do estúdio de televisão do Senado levou consigo um trabalho extra de dublagem de um filme pornô e, em um ato de um autêntico mané, acabou exibindo sem querer o filme em uma estação interna do Senado.
O funcionário em questão foi colocado de licença administrativa por causa do incidente. Para a sua sorte, pouca gente chegou a ver o filme - a casa estava em recesso.
A pergunta que fica no ar é: como assim, dublar um filme pornô?
Fonte: Reuters |
01:16 .. A coisa pública
A gente tenta se livrar de preconceitos e estereótipos, mas tem horas que não dá. Pela data de publicação anterior do Bonde quem passa por aqui percebeu uma ausência momentânea. Culpa de alguns professores da Escola de Comunicação da UFRJ. Por conta da greve do ano passado, as aulas deste período, que começou no fim de setembro, vão até dia 31 de agosto. Mas como bons funcionários públicos, alguns "mestres" resolveram correr com a matéria para antecipar as próprias férias. Resultado, eu tenho que me fuder fazendo trocentos trabalhos para entregar até esta sexta. Como ainda há professores sérios, todos os alunos terão aulas até o ano que vem de qualquer maneira. Ou seja, nos ferramos duas vezes. Só não vou começar a falar da secretaria que às vezes não abre, da biblioteca que fecha cedo, et cetera para não perder o sono. |
00:46 .. Luzes de natal
Pergunta rápida: que são aqueles ônibus com propagandas da Coca-Cola circulando por aí? Quando os vi durante o dia achei muito feios, cheios de adesivos, muita poluição visual. Mas qual não foi minha surpresa quando cruzei com um deles à noite e vi dezenas de luzes de natal. Lâmpadas nas janelas, na carroceria, no teto, pelo ônibus todo. Devia ser proíbida uma coisa dessas, pode até causar acidente. Pior que isso só aquelas pessoas de extremo bom gosto que colocam neon embaixo dos carros. Coisa linda.
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Dezembro 10, 2002
23:59 .. Dia do palhaço
Hoje é o dia do palhaço. Também é o dia Internacional dos Direitos Humanos. Mas e daí? Ao contrário - infelizmente - do outro assunto, os palhaços nos trazem alegria. Quem, quando criança, não deu boas gargalhadas diante de tombos e cambalhotas de um deles num circo? Quem não lembra do Arrelia, do Carequinha, do Bozo? Bons tempos em que ser palhaço era opção de vida, profissão. Hoje em dia todos nós, mais cedo ou mais tarde, somos tratados como tal. Parabéns para todos! |
02:02 .. Falando nisso...
Incrível como certas coincidências acontecem. Um amigo me mandou esta foto do abaixo enquanto eu estava aqui no computador esperando os Simpsons começar. Quando o desenho começou não acreditei, era o episódio em que Bart começa a fazer compras com um cartão de crédito destes que vêm pelo correio sem ninguém pedir. Para quem não conhece, vai um resumo.
Chateado por não receber correspondências, Bart queixa-se com Margie, que passa dar ao filho as malas diretas que recebe. Numa delas vem um cartão de crédito que o moleque logo manda desbloquear por telefone e sai fazendo compras: roupas, aparelhos para o quarto e um cachorro treinado com pedigree e tudo. Como ele obviamente não paga nada, a operadora começa a recolher os bens adquiridos. Na hora de levarem o cão, Bart dá uma de João-sem-braço e manda o Ajudante de Papai Noel, seu vira-latas, no lugar do outro.
Depois de muitos passeios com seu belo cão adestrado, que fazia sucesso tamanha sua inteligência, Bart fica com o remorso de ter mandado o outro pulguento embora. Doa de doar seu novo companheiro à polícia e começa a procurar seu velho amigo. Depois de algum esforço, o primogênito da família Simpson descobre que seu bichinho de estimação agora vive com um cego. Seguindo sua índole, decide roubá-lo de volta.
Ao chegar na casa do deficiente visual, Bart acaba sendo descoberto por conta dos barulhos de Ajudante de Papai Noel e esconde-se no armário. Pouco depois resolve sair e contar a verdade para o ceguinho, mas era tarde, pois ele já havia chamado a polícia. Os tiras invadem a casa e o cão treinado corre em direção ao cego, que fica todo feliz, achando que encontrou um novo companheiro. Enganou-se. O cachorro vai direto ao bolso dele e tira um pacote com...maconha! Um dos policiais lembra que pode ser remédio e o dono da casa solta a pérola: "é isso mesmo, sem isso eu posso ficar ainda mais cego". Genial. Dizendo que aquilo podia demorar muito, os guardas mandam Bart embora. Corta para outra cena.
Com uma loira gostosuda no banco do carona, um polícial estaciona sua viatura na frente de uma casa onde outro carro da polícia já esta parado. Ele salta carregando uma daquelas caixas com meia dúzia de cervejas e vai andando com sua companhia em direção à festinha. Tudo isso ao som de Jammin´, de Bob Marley. E o chefe de polícia exclamando repetidas vezes, com voz lenta e suave: "ei, calem a boca, eu gosto dessa música!". Sensacional. |
01:07 .. Luzes - coloridas, metamórficas... - no fim do túnel
Futuro ministro da justiça, o advogado Márcio Thomaz Bastos declarou-se a favor da discriminalização das drogas. ?Sou a favor da descriminação do uso de todo entorpecente que haja. Até porque, na impossibilidade do uso, incrementa-se o tráfico? - disse. Para os conservadores de plantão não ficarem assustados, mais adiante no texto ele adianta que isso é uma posição dele e não necessariamente fará parte da agenda do governo Lula. Mas já é um bom começo.
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Dezembro 06, 2002
16:25 .. O feitiço virou contra o feiticeiro
Sabe aquelas pegadinhas estúpidas que aparecem na tevê? Sempre fiquei imaginando que aquelas brincadeiras um dia ainda iam acabar dando em merda. Ficava esperando o dia em que um daqueles transeuntes que são feitos de mané se revoltaria e partiria a sério para cima de um dos atores. Ou então uma velhinha tendo um piripaque depois de levar um susto. Mas uma coisa era certa, algum dia aquilo não ia acabar bem. E não acabou. Pelo menos não para o ator Wanderley Baptista, protagonista de pegadinhas do programa Superpop, de Luciana Gimenez. Durante gravações no Guarujá, quando ia pregar mais uma de suas peças - desta vez iria vender casquinhas de siri vazias na praia -, Wanderley infartou e não resistiu, partiu desta para melhor. Como se tratava de um brincalhão irremediável, até a equipe do programa pensou se tratar de mais uma gracinha do moço. Seria irônico se, ao chegar na porta do céu, o ator desse de cara com Pedro disfarçado de sei lá o que, indicando a entrada do inferno para o recém-desencarnado. E ao entrar na morada do tinhoso de nada adiantaria gritar "produção, produção!" |
Dezembro 02, 2002
00:54 .. No meu chope mando eu
Imaginem se esta medida já estivesse funcionando num dia como hoje aqui na Cidade Maravilhosa? O clima senegalês que tomou conta do domingo pede, ou melhor, exige um chopinho à beira-mar até mais tarde, ainda mais com este horário de verão. Antes que seja tarde, lanço uma campanha: meu chope eu bebo à hora que quiser! Afinal de contas, se os políciais podem fazer blitz para verificar quem está dirigindo bêbado, por que não colocá-los para proteger os manguaças dos assaltos? |
00:33 .. Soluções para um mundo moderno
Um dos ditados populares mais absurdos que temos é "o justo paga pelo pecador". Ou seja, alguém faz merda e você arca com as conseqüências. O Jornal do Brasil deste domingo trás em sua capa uma matéria para deixar os cariocas de cabelo em pé. Segundo dados de uma pesquisa feita pelo Viva Rio e pelo Iser (Instituto de Estudos da Religião), o hábito de tomar chopinho à noite aumenta absurdamente as chances de você se tornar vítima de violência. Três doses de álcool bastam para se ter 45% a mais de probabilidade de se dar mal. Como disse um amigo meu por email, "é a comprovação científica de que cu de bêbado não tem dono".
Até aí nenhuma novidade. O problema maior foi a solução sugerida por um dos organizadores da pesquisa: fechar os bares e restaurantes mais cedo e diminuir a circulação de ônibus durante a madrugada. Ao invés dos bandidos, nós é que temos que ficar presos. Genial. O pior de tudo é que o prefeito César Maia - que já gosta de medidas polêmicas em nome da moral e dos bons costumes; basta lembrar do fechamento do Circo Voador, do limite de horário de funcionamento do Baixo Gávea, várias intervenções da Guarda Municipal para acabar com o som nas ruas da Lapa, fora as que não sei ou não lembro - gostou da idéia. É aquela velha história do marido que chega em casa, encontra a esposa transando com seu melhor amigo no sofá da sala e, para solucionar o problema, vende o sofá. Do jeito que as coisas andam, daqui a pouco crime vai ser beber chope. Infelizmente "colarinho branco" já é utilizado para outro tipo de ilícito. E para resolver este ninguém chega com uma dessas idéias mirabolantes. |