Rafael Ferreira Rosenhayme pegou o Bonde Andando em 3 de outubro de 1978, no Rio de Janeiro. Desde então vem tentando, sem sucesso, assumir o comando da viagem.
Enquanto isto não acontece, costuma trabalhar como analista de marketing, namorar, beber chope com os amigos, ir ao cinema, ler, ouvir música, sair à noite, ir à praia, fotografar e, de uns tempos para cá, colocar no ciberespaço um pouco daquilo que vê pela janela durante o trajeto.
Esta página não pretende tratar do cotidiano deste ilustre desconhecido, mas de suas impressões e opiniões sobre as coisas que acontecem pelo caminho. Para os que decidiram seguir, boa viagem.
rango Tagliolini al nero di sepia con salmone affumicato Da Brambini
livro Bebê: manual do propritário Joe Borgenicht e Louis Borgenicht
livro Paraísos artificiais Charles Baudelaire
cinema O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias Cao Hamburger
cinema Os Infiltrados Martin Scorsese
show New Order Vivo Rio
cinema Volver Pedro Almodóvar
música Gulag Orkestar Beirut
cinema Pequena Miss Sunshine Jonathan Dayton e Valerie Faris
03:56 .. Sacanagem na tevê
Ah, a tevê aberta. Primeiro assisti ao comandante da Polícia Militar do Rio cantando The long and winding road, dos Beatles, no Programa do Jô, que ainda teve uma banda cover do Kiss, com direito a maquiagem e fantasia. Nada contra o Kiss nem contra bandas covers, mas um bando de coroas todos emperequetados para imitar outros é demais para minha cabeça. Como bizarrice pouca é bobagem, resolvi mudar de canal. Na Rede TV estava começando o Noite a fora, programa apresentado pela Monique "sem-noção" Evans. Só putaria. Os convidados do dia - o ex-bbb Fabrício, aquele gaúcho mala que não engana ninguém; um casal de médicos especializados em disfunções sexuais, que, apesar de trabalhar há anos com sexo, insistiam em falar clítoris ao invés clitóris (a apresentadora, muito fina e delicada, não dá chance ao erro e utiliza o popular grelo mesmo); e uma stripper encerrando o programa, mas, infelizmente, mostra só os seios - ficam respondendo perguntas que renderiam até diálogos de filme pornô: quem chupa o que, quem gosta de fio-terra e por aí vai. Toscaria total, no melhor dos sentidos. Monique é quase um João Gordo de saias.
Ah, se no meu tempo de moleque fosse assim. Lembro de quando ficava acordado até altas horas para assistir a coisas como Porky´s ou a Primeira transa de Jonathan na esperança de ver um peitinho ou coisa do gênero. Na manhã seguinte, na sala de aula todos os garotos bocejavam com expressões evidentes de frustação. Esparavam ver mais. Quando a Band passava filmes nacionais, a euforia era ainda maior. Toda nudez será castigada, A dama do lotação, entre outros - que podem ser vistos no Canal Brasil hoje em dia. Quando se conseguia driblar a censura dos pais, a alegria era certa.
Se os pré-adolescentes de hoje são mais felizes, não sei. Mas uma coisa é certa: eles têm muito mais material para inspirar o onanismo, prática mais que habitual nesta faze da vida, do que na minha época - e olha que nem falo de internet e tevê a cabo. Atualmente este tipo de entretenimento me faz no máximo dar umas boas risadas. Mas tem muito defensor da moral e dos bons costumes que está arrancando os cabelos por conta de tanta sacanagem na telinha. E vários garotos ganhando espinhas no rosto e pelos nas mãos. |
Novembro 25, 2002
12:28 .. Em tempos de vacas magras
Por falar em viver bem, muito bom este Manual de miséria sustentável. Perfeito para quem - como este que vos escreve - está na pindaíba quase total. Vale uma visita nas outras partes do Fraude, o site tem uns textos muito interessantes. |
02:56 .. Área 51
Esta é para quem gosta de ska e punk rock. Está no ar o novo site da banda carioca Área 51. Lá você pode encontrar histórico do grupo, fotos, informações sobre os integrantes, letras, datas de shows, et cetera. Se você for apressado e quiser já escutar o som, clique aqui. |
02:19 .. Brincadeira tem hora Dias atrás li um texto (dica do Cláudio Cordovil) falando sobre o incômodo que algumas brincadeirinhas bobas, que são feitas todos os dias, em diversos ambientes, podem causar às pessoas. Com este espírito "perco o amigo mas não perco a piada", uma jornalista do periódico nigeriano This Day resolveu escrever que até Maomé cederia aos encantos das beldades que estavam no país para a final do concurso miss mundo. O chiste deu início a uma batalha entre católicos e muçulmanos que já matou mais de 100 pessoas e deixou cerca mil feridas. As concorrentes já estão a salvo em Londres, mas na África o pau continua comendo solto. Ainda bem que descobri a tempo o que motivou o quebra-pau. Senão este texto teria começado com "Campeonato Brasileiro que nada, emoção mesmo é no torneio de miss" e não sei como seria meu fim. |
Novembro 13, 2002
14:16 .. República de Quebéc
Falando em música, hoje à noite, às 19h, tem República de Quebéc, o programa de psicotrópicos auditivos e música libertária da Rádio Interferência FM. Para você que mora ou trabalha na Urca, Flamengo, Botafogo, Laranjeiras - pega em alguns lugares -, Icaraí, Leme e início de Copa, Humaitá, é só sintonizar o rádio em 91,5Mhz e ter uma ótima alternativa à voz do Brasil. A Interferência é uma rádio livre tocada por estudantes da UFRJ e tem vários outros programas interessantes. Vale a pena dar uma conferida. |
02:42 .. Lado B, Lado A
Um antigos rumor que rolava nos papos de bastidores do rock nacional há tempos se confirmou hoje: o baterista Marcelo Yukka deixou o grupo O Rappa. O anúncio foi feito nesta terça-feira, mas o relacionamento tenso entre Yukka e Falcão, vocalista e novo líder da banda, já vem de longa data. Semrpe se comentou que os cumprimentos e a boa convivência entre os dois se resumia ao palco. Falcão sempre foi contra os projetos paralelos do ex-baterista, que ultimamente estava tocando tecados por conta das restrições que os tiros que levou o impuseram. Agora é ficar ligado para ver os rumos que O Rappa vai tomar. |
02:16 .. Jeitinho brasileiro
Brasileiro dá jeito para tudo mesmo. Até para seqüestrar avião a criatividade verde-amarela supera as dificuldades materiais de nosso povo mais humilde. Clodovel Dantas Lacerda, 56 anos, cansou de vender churrasquinhos de gato em Cuiabá, encheu uma garrafa de 2 litros com gasolina, catou dois isqueiros e pronto, foi seqüestrar um avião. Além do fato de tentar assumir o comando de uma aeronave para desviar sua rota, nada o terrorista tupiniquim tem a ver com seus "colegas" internacionais. Este é um dos ramos de atividade em voga nos dias de hoje no qual - ainda bem - somos amadores.
Clodovel não queria matar ninguém nem reverter a lógica de domínio do Império, mas apenas aplicar um susto nos deputados e senadores, fazendo um vôo rasante sobre o Congresso. Por que? Pelo fato de ter trabalhado, segundo ele, cinqüenta anos e não ter direito a aposentadoria, enquanto alguns membros daquele parlamento a conseguem depois de menos da metade deste tempo. Não procurou formar um grupo, unir militantes desta mesma causa, resolveu agir sozinho. Não se preocupou em traçar um plano, basear-se em uma ideologia, muito menos tinha a intenção de virar mártir, sequer deve ter considerado a possibilidade. Não foi financiado por nenhum grupo financeiro ou milionário excêntrico. Foi retirar a última parcela do seu seguro desemprego e descobriu que não teria direito ao PIS. Saiu do banco muito puto e, ao invés de fazer o habitual e encher os cornos num pé sujo qualquer, passou num posto de gasolina, comprou passagem para o DF e resolveu fazer seu própio "Dia de fúria".
Como chegou ao ouvido de todos, nada deu certo para ele. Nem o veneno para formigas, que este incansável trabalhador ironicamente escolhera para dar cabo da vida caso o plano desse - como deu - errado, ele conseguiu tomar. Depois querem que nesta fábula cotidiana as pessoas não prefiram se tornar as cigarras. |
Novembro 08, 2002
16:22 .. Paralelo?
Diariamente os jornais, impressos ou televisivos, nos mostram a força e a ousadia dos narcotraficantes, principalmente no Rio de Janeiro e São Paulo. O grande inimigo nacional do momento é o que a mídia convencionou chamar de "poder paralelo". Mas há um problema nesta denominação. Este paralelismo me parece uma visão míope dos acontecimentos, que encerra nos morros e favelas o centro deste poder. Entende-se por paralelas duas coisas que nunca se encontram. Isto realmente quase acontece se focarmos nossas atenções apenas para as áreas ditas conflagradas. Quase. Porque até mesmo nesses locais onde há falta de saneamento básico, escolas, hospitais e outras obrigações do Estado, este se fez presente desde sempre com seu braço repressor: a polícia. Esta sempre esteve lá exercendo seu poder, mantendo "eles" afastados de "nós". Este encontro bastaria para caracterizar como transversal, e não paralelo, o poder do tráfico.
Uma visão um pouco mais detalhada nos faz perceber que os morros, as favelas, são apenas a ponta de um iceberg, o departamento de varejo de uma grande empresa. Lá trabalham os operários desta milionária indústria. Lá residem realmente os que nunca encontram o poder do estado, pelo menos não a seu favor. Mas, um pouco mais à frente, há uma esquina. Nela os poderes se encontram, sim. Cria-se a impressão de paralelismo porque este lugar de encontros nem a imprensa nem o poder público trazem à luz. Mas quando um juiz libera os dados de um processo para o advogado de um Fernandinho Maluco qualquer cuidar logo dos subornos, os poderes se encontram. Também se esbarram na hora de se lavar a dinherama suja que o tráfico gera. Esta grana se torna limpa utilizando-se de armas e pessoas que pertecem ao chamado poder oficial. Isto sem contar com casos como o de Hidelbrando Paschoal, exemplo clássico de como os poderes não só se encontram como passeiam de mãos dadas.
Isso tudo pode até parecer uma babaquice, uma simples discussão sobre figuras de retórica. Até acho que é, mas o que neste mundo não o é? Justamente por isso acho importante que seja feita esta distinção, já que a maneira como combatemos um inimigo depende da forma que o enxergamos. Se temos uma visão distorcida, de curto alcance, corremos o risco de seguirmos apenas causando-lhe feridas que cicatrizam facilmente. Podando galhos sem cortar raízes. |
00:55 .. Severino Cavalcanti
Guardem bem este nome. Industrial por profissão, este cidadão pernambucano, nascido em dezembro de 1930, exerce seu segundo mandato de deputado federal pelo PPB. Em meio a batalha homérica para reajustar o salário mínimo - que não se sabe ainda se vai ser de R$ 211 ou R$ 240 - no congresso, este parlamentar apresenta uma proposta de aumentar o seu ordenado e o de seus colegas dos atuais R$ 8.280 para R$ 17.125 em 2003. Segundo ele, precisamos ter compaixão para com os ?80% dos deputados que estão devendo no cheque especial. Os parlamentares não podem viver com salário de chofer de caminhão". Se para ele um motorista ganha isso, imaginem de quanto eram os orçamentos de suas obras ao longo de sua trajetória política? O pior de tudo é que este escroque quer receber mais para, por exemplo, posicionar-se contrário à união civíl entre homossexuais, declarando-se "líder da defesa da família". Só se for da dele. E olhe lá!
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Novembro 06, 2002
23:05 .. Bolete
Momentos de tensão rondam a redação da PNN (Passaralho News Network), rede de comunicação que se dedica única e exclusivamente a cobrir os momentos que antecedem uma demissão em massa em uma grande empresa de internet. É uma Crônica de uma morte anunciada recheada de humor e ironia, feita direto do cadafalso. |
Novembro 04, 2002
04:02 .. Nasce um clichê
Sabe aquelas fotos que todo mundo tira? Quando em Paris, a Torre Eifel ao fundo; em Nova York a Estátua da Liberdade toma o lugar de coadjuvante e por aí vai. Saindo na frente, meu camarada Daniel inaugurou mais uma, esta no Rio de Janeiro. Mandou bem. |
03:47 .. Toma jeito, Canecão
Dando uma navegada no blog da Cora Rónai vi que o Canecão está fazendo um concurso para escolher qual será sua página. Mas este texto serve para tratar de outro assunto: a cara-de-pau desta famosa e tradicional casa de shows carioca. O prédio é instalado no terreno da UFRJ, propriedade da União, e paga uma quantia irrisória de aluguel ao Governo. Tendo em vista que a casa é um ponto cultural importante, não sou a favor da retirada da mesma do local, mas acho que aumentar o preço que pagam pela utilização do espaço seria uma boa. O pior de tudo não é isso. O Canecão é registrado como bar e restaurante e, portanto, não aceita carteirinha de estudante para meia-entrada nos shows e peças. Resumindo, os caras ganham muito, pagam quase nada de aluguel e nem desconto previsto em lei eles dão. Ô ganância! Em tempos de pacto social, taí uma boa - pequeníssima, mas importânte - causa cultural para se abraçar: carteirada no Canecão. O bingo que fica ao lado eu deixo para outro dia. |
03:21 .. Fale com ela
Já saí de casa sabendo que iria gostar, mas não tinha noção de que seria tanto. Fale com ela, mais recente obra do espanhol Pedro Almodóvar, é um dos melhore filmes que já vi do diretor. Narra duas histórias de amor e mostra a importância da comunicação entre as pessoas nos relacionamentos. Não vou contar a história aqui, deixo esta tarefa para o pessoal do Meninos, eu vi - que na verdade ainda não viu este filme. Mas adianto que o roteiro é muito bem amarrado e, apesar de não seguir uma linearidade cronológica, não cai na tentação do vaivem gratuito nem deixa o espectador perdido no tempo. Aliás nada no filme é à toa, desde as cenas de ballet e cinema que "adornam" a história, até a aparição de Caetano Veloso, que dá as caras cantando Cucurrucucu Paloma - um clássico espanhol de Tomas Méndez - ao lado de Jacques Morelembaum numa festa. Os personagens são apresentados com maestria e têm suas histórias cruzadas de forma ainda melhor. Como não podia deixar de ser, Almodóvar consegue conjugar relações dramáticas - e incômodas para o gosto geral - com humor de forma poética. Vale bem mais do que o ingresso. |
Novembro 02, 2002
13:54 .. Mais uma dose
Sabe quando você está dando uma festinha e lá pelas tantas a cerveja acaba? Já é madrugada, todos estão bêbados e ninguém está em condições de dirigir para buscar mais? Isto não é mais problemas para quem mora no Rio de Janeiro. Bastar apontar seu navegador para o site Eu Levo Pra Você e pronto. Além de birita, o serviço também oferece cigarro, gelo e carvão. Uma mão na roda. |