Rafael Ferreira Rosenhayme pegou o Bonde Andando em 3 de outubro de 1978, no Rio de Janeiro. Desde então vem tentando, sem sucesso, assumir o comando da viagem.
Enquanto isto não acontece, costuma trabalhar como analista de marketing, namorar, beber chope com os amigos, ir ao cinema, ler, ouvir música, sair à noite, ir à praia, fotografar e, de uns tempos para cá, colocar no ciberespaço um pouco daquilo que vê pela janela durante o trajeto.
Esta página não pretende tratar do cotidiano deste ilustre desconhecido, mas de suas impressões e opiniões sobre as coisas que acontecem pelo caminho. Para os que decidiram seguir, boa viagem.
rango Tagliolini al nero di sepia con salmone affumicato Da Brambini
livro Bebê: manual do propritário Joe Borgenicht e Louis Borgenicht
livro Paraísos artificiais Charles Baudelaire
cinema O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias Cao Hamburger
cinema Os Infiltrados Martin Scorsese
show New Order Vivo Rio
cinema Volver Pedro Almodóvar
música Gulag Orkestar Beirut
cinema Pequena Miss Sunshine Jonathan Dayton e Valerie Faris
18:05 .. Novidade
Mais um blog na área. Minha querida amiga Laura Lessa agora também coloca palavras soltas no ciberespaço em seu Aurora. Tô de olho. |
Setembro 11, 2002
16:30 .. Convite para o crime
Chegou hoje em minha caixa de correio eletrônico uma mensagem no mínimo inusitada. Vou colocá-la aqui na integra, vale a pena dar uma lida e refletir.
Dear Sir,
RE: REMITTANCE OF US$28,500,000:00
I am the manager of bill and exchange at the foreign remittance department of the ECO BANK OF AFRICA LAGOS, NIGERIA. I am writing following the impressive information about you. I have the assurance that you are capable and reliable enough to champion an impending transaction.
In my department, we discovered an abandoned sum of US$28.5m (twenty eight million and five hundred thousand US dollars), in an account that belonged to one of our former customers who died along with his entire family in a plane crash, in November, 1997. Since we received the information about his death, we expected his next of kin to come forward and claim his money, as enshrined in our banking laws and regulations. So far nobody has come forward, and we cannot release the funds unless someone applies as the next of kin as stipulated in our guidelines.
Unfortunately, we have discovered that all his supposed next of kin or relations died alongside with him in the plane crash, and effectively leaving nobody behind to come forward and claim the balance left in his account. My colleagues and I want to take this once in a life time opportunity.It is consequent upon this discovery that other officials and I in my department decided to make this business proposal to you. We want to present you as the next of kin or relation of the deceased person. We intend to transfer the money into your account for safety and subsequent disbursement, since nobody is coming forward for it. If we lose this golden opportunity, the bank is going to return the money into the bank's treasury as unclaimed.
The bank's regulation stipulates that if after five years, such money remains unclaimed; the money will be reverted to the bank's treasury as unclaimed fund. The request for a foreigner as the next of kin in this transaction is predicated upon the fact that the said customer was a foreign national and no citizen of this country can claim to be the next of kin of a foreigner.
We agree that 30% of the total sum we be given to you for your assistance in facilitating this transaction. My colleagues and I are going to retain 60% of the total sum, and 10% will be set aside for the expenses that we may incur in facilitating the remittance.
To enable us effect this remittance, you must first apply as the next of kin of the deceased. Your application will include your bank co-ordinates, that is, your bank name, bank address and telex, your bank account. I want you also to include your private telephone no. and fax no. in your response to me, for easy and effective communication during this process. My colleagues and I will visit your country for disbursement according to the agreed ratio, when this transaction is concluded.
Upon the receipt of your response, I will send to you by fax, the text of an application for payment to the bank. I must not fail to bring to your notice the fact that this transaction is hitch free, and that you should not entertain any fear, as you are adequately protected from any form of embarrassment.
Do respond to this letter today to enable us proceed with the transaction.
Yours sincerely,
MR. MARTINS IBETO
E aí, alguém se habilita? |
16:15 .. Aniversários
Nem me dei conta disso antes, mas hoje percebi que este blog fez um ano no último sábado. Surge a pergunta: e daí? Este mesmo questionamento serve para o dia de hoje, que marca um ano dos atentados ao WTC. E viva as pequenas coisas de nossas vidas cotidianas.
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15:06 .. Documento, por favor
Mas quem disse que o papel da polícia é proteger o cidadão? Deveria ser? Acho que sim, mas definitivamente não é esta função que ela vem exercendo. E não me venham dizer que é so aqui no Brasil. Como exemplo posso citar as manifestações anti-globalização realizadas em Gênova, na Itália, no ano passado, quando a polícia agiu com extrema violênica não só contra os Black Blocks, grupo de radicais arruaceiros, mas também contra manifestantes pacifistas, que apanharam barbaramente, tiveram suas câmeras apreendidas e sofreram outros tipos de humilhação. Podem falar que este é um caso isolado. Não acredito. Aqui, como em qualquer outro país do mundo, a polícia é um órgão de repressão do Estado. E no nosso caso, a palavra Estado tem um peso muito forte.
O Brasil é um país - não o único, claro - que ao longo de sua história nunca deu ouvidos à sociedade na construção da Nação. Começamos como uma colônia de exploração, fomos promovidos a sede do Império quando a família real fugiu de Portugal por causa de Napoleão, tornamo-nos independentes(?), proclamamos a república e, entre uma ditadura e outra, vivemos tempos de democracia - pelo menos é o termo utilizado no discurso oficial. Durante todo este percurso muita coisa mudou, mas o comando do país, jamais. Este sempre esteve - e ainda está - nas mãos de algumas famílias, que no fim das contas, são quem a polícia deve proteger; seus membros e seu patrimônio.
A violência, por motivos óbvios, que vivemos cotidianamente - vide texto anterior -, é um dos maiores pontos de pauta dos jornais atualmente. Especialmente depois da morte do repórter/espião Tim lopes, quando a imprensa resolveu pegar mais pesado no assunto. Quando W. Bush afirma que Saddam Hussein representa o mal para a civilização ocidental e diz que por isso vai atacar o Iraque, somos os primeiros a chamá-lo de louco-paranóico e achar um absurdo. Mas aqui acontece coisa parecida e a maioria de nós não se dá conta. A mídia cria um glamour enorme em torno desses Elias Malucos da vida, inventam um tal "poder paralelo" que se instalou nas "áreas conflagradas", dissemina a paranóia e o medo. Com o caos instaurado, o salvo conduto para a invasão destes locais - leia-se favelas - é dado pela opinião pública.
De um lado os bandidos e do outro a polícia. No meio, nós, contribuintes. Em nome da segurança de uns poucos, muitos têm suas casas invadidas, seus filhos inocentes mortos. E nós que não moramos em favelas mas também não somos protegidos pela polícia? E quem mora na favela e não é bandido - a grande maioria, mais de 90% -? Que nos resta fazer? O Rio não vive sob o comando de um poder paralelo, mas sim sob o desmando destes que só pensam em se manter no poder. Enquanto ficarmos repetindo o discurso deles, os donos da mídia, estaremos vivendo entre os ataques dos bandidos e os "pedágios" da polícia. Em época de eleições é bom pensarmos em que tipo de policiais precisamos para sair dessa. |
Setembro 04, 2002
00:11 .. Depois do ICQ, grana e celular
Falando em violência, depois de ter sido usurpado virtualmente, na última semana tive o desprazer de se assaltado em um sinal fechado do Rio de Janeiro. Era pouco mais 20:30h quando estava voltando para casa. Como tinha um trabalho em grupo para fazer, saí cheio de livros de casa e resolvi usar o carro ao invés do ônibus de todo dia. Estava no Largo do Machado, no bairro das Laranjeiras, quando um moleque de seus 17 anos bateu em meu vidro pedindo para eu abaixar. Como não me deixo vencer pela paranóia, achei que fosse apenas mais um pedinte e disse que estava duro, que não tinha nada. Nisso o meliante mudou o tom de voz e disse "abixa logo esta merda antes que meu amigo comece a te pipocar". Olhei para o lado do carona e lá estava um pirralho de uns 13 anos no máximo, que levantou a camisa me mostrou um revólver que trazia na cintura. Aí tudo mudou de figura. Acabei entregando as quase 40 pratas que tinha na carteira. Não contente, o safado ainda me pediu o celular. Fingi que não encontrava o aparelho na esperança de que o sinal abrisse, mas foi em vão. Tive que entregar o malidto celular também. O pior de tudo é que, pelo retrovisor do carro, podia avistar as luzes de um carro da polícia que estava estacionado a não mias de 50m do local. Quando você está falando ao telefone enquanto dirige aparecem vários destes malandros querendo levar algum. Proteger os cidadãos de assaltos, nem pensar.
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Setembro 03, 2002
23:55 .. Resumindo
Colocando em dia o papo. Nas últimas semanas não dei as caras por aqui porque estava atolado até a alma com um sem número de trabalhos e provas da faculdade. Tenho que me livrar logo disso, agora a corrida se faz necessária. Neste meio tempo, o meu grande camarada Ira conseguiu recuperar meu bom e velho ICQ. Fico só imaginando a cara do desocupado que havia me tomado o número quando teve ele roubado de volta. Ladrão que rouba ladrão... Além de justiceiro do ciberespeaço, Ira é criador e mantenedor do Growroom, site dedicado a troca de informações sobre cultivo de Cannabis Sativa.
Na mesma onda antiproibicionista do site andou o debate que mencionei no texto anterior. Infelizmente Hélio Luz não pode participar do evento, mas a participação de Oscar Berro, ex-superintendente de saúde do Estado do Rio, não citado anteriormente, ajudou a tornar o debate mais amplo. Duas opiniões foram consenso entre os debatedores: drogas fazem mal e merecem atenção da sociedade; drogas são problema de saúde pública e não coisa de polícia. Os males que elas causam ao indivíduo são inúmeros, principalmente as mais pesadas - que não é o caso da Marijuana. Mas os danos causados à sociedade pela proibição de seu uso, que tem como conseqüecia direta a criação de um mercado negro armado, são muito maiores. O tráfico de drogas não é a verdadeira causa da violência que nos aterroriza diariamente, mas as graves diferenças sociais que toma conta de nosso país, sim. Em tempo de caça às bruxas, tome muito cuidado na hora de identificar os inimigos. |