Rafael Ferreira Rosenhayme pegou o Bonde Andando em 3 de outubro de 1978, no Rio de Janeiro. Desde então vem tentando, sem sucesso, assumir o comando da viagem.
Enquanto isto não acontece, costuma trabalhar como analista de marketing, namorar, beber chope com os amigos, ir ao cinema, ler, ouvir música, sair à noite, ir à praia, fotografar e, de uns tempos para cá, colocar no ciberespaço um pouco daquilo que vê pela janela durante o trajeto.
Esta página não pretende tratar do cotidiano deste ilustre desconhecido, mas de suas impressões e opiniões sobre as coisas que acontecem pelo caminho. Para os que decidiram seguir, boa viagem.
rango Tagliolini al nero di sepia con salmone affumicato Da Brambini
livro Bebê: manual do propritário Joe Borgenicht e Louis Borgenicht
livro Paraísos artificiais Charles Baudelaire
cinema O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias Cao Hamburger
cinema Os Infiltrados Martin Scorsese
show New Order Vivo Rio
cinema Volver Pedro Almodóvar
música Gulag Orkestar Beirut
cinema Pequena Miss Sunshine Jonathan Dayton e Valerie Faris
19:42 .. Rumo ao passado
Como vocês puderam perceber, meu tempo para escrever por aqui anda meio escasso. Esta semana quase nem parei diante do computador aqui no trabalho. Fiquei o tempo todo enfurnado no arquivo do jornal fazendo uma pesquisa de fotos antigas. Só posso dizer uma coisa sobre aquele lugar: é um paraíso. A sensação que tenho quando lá estou é a de que, de certa forma, a História me cerca. Milhares de instantes congelados no tempo, pessoas que já não estão mais aqui fisicamente, fatos importantes, todos ali diante de meus olhos. Futucando aquelas milhares de pastas, me sentia operando uma máquina do tempo. Pena que não posso sair pegando o tudo que me dá na telha e levar para casa. |
Dezembro 07, 2001
22:31 .. Música na parede Quem gosta de Jazz provavelmente deve ter um carinho especial com a gravadora Blue Note. Criada por Alfred Lion em 1939, a empresa é detentora dos direitos de um dos melhores acervos do gênero no mundo. Apaixonado por música e freqüentador assíduo de Clubs, o alemão tinha uma ótima relação com seus músicos, o que, associado ao fato de que Lion costumava deixá-los bastante livres para criar, preparava o clima descontraído e sem pressões que permitiu o surgimento de álbuns antológicos, principalmente nos anos 50 e 60. Olé e Blue Train, de John Coltrane, Maiden Voyage e Empyrean Isles, de Herbie Hancock, Alligator Bogallo, de Lou Donaldson. Isto para citar apenas alguns dos quais já tive a sorte de escutar. Aos interessados no assunto, uma ressalva: o site da gravadora é recheado de tentações, se for comprador compulsivo, esconda seu cartão de crédito.
Mas meu tesão por música vai muito além das notas em si. Não basta colocar o disco para tocar e ficar ouvindo, as preliminares também são muito importantes. O prazer começa bem antes, no momento em que, pela primeira vez, o olhar encontra a capa. E com as da Blue Note não tem jeito, é amor à primeira vista. Reid Miles e Francis Wolff com suas artes e suas fotos, respectivamente, tornavam os álbuns da gravadora obras de arte completas. O último era capaz de, como ninguém, capturar em imagens os sentimentos que os artistas expressavam em suas músicas. Nas mãos do primeiro, estes instantes mágicos ganhavam cores - não apenas simples pigmentos, mas emoções -, tipos, figuras geométricas, ou o que mais fosse necessário para chegar ao inevitável resultado: uma relação de simbiose entre a música e a capa, tornando-as indissociáveis e complementares, como alma e corpo. Antes mesmo de escutar o primeiro acorde, o comprador podia ter uma noção muito boa do que estava por ouvir.
Hoje em dia, estas peças, até então fadadas a ficarem olhado umas as outras nas estantes de discos, já podem ganhar um espaço de destaque na parede para deleite visual dos jazófilos de plantão. No site da Blue Note Print, braço gráfico da gravadora, é possível adquirir algumas destas preciosidades em diversos tamanhos, para todos os gostos, espaços e bolsos. Segundo eles informam, as impressões são de alta qualidade e há pouco mais de 400 exemplares de cada ítem. Os preços variam de US$ 29,00 a US$ 549,00, dependendo do tamanho escolhido e se o comprador optou ou não por emoldurar a peça. Como não tenho andado com muita grana ultimamente, só me resta enfeitar meu blog com algumas imagens e torcer para que Papai Noel tenha me achado um bom menino este ano.
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18:52 .. Encontro desastroso
- E aí, velho amigo, como como você está?
- Tudo indo, e você?
- Tudo na mesma, aquela chatice de sempre. Mas o que te traz aqui, nobre amigo.
- É que descobri que tem um cidadão, rapaz trabalhador, que esteve de plantão nos últimos cinco fins de semana e, finalmente, vai folgar neste agora.
- Sei, e o que tem isso?
- Queria que você preparasse uma daquelas supresas para ele.
- Tudo bem, o que não fazemos por um amigo?
Murphy agradeceu e despediu-se de São Pedro, que prontamente fez a vontade do velho conhecido e mandou um temporal sobre o Rio de Janeiro.
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Dezembro 06, 2001
18:54 .. Se...
... eu tivesse atropelado o cidadão do texto anterior, acho que a comoção na rua seria mais ou menos assim:
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17:54 .. Por pouco
Estava chegando no trabalho, procurando vaga para estacionar meu carro. Andava devagar, prestando atenção para ver se encontrava algum espaço onde pudesse parar quando, de repente, um transeunte desatento se meteu na frente do meu carro. Pisei no freio, olhei para frente, Artur Xexéo. Ele seguiu, provavelmente imaginando alguma coisa para escrever em sua coluna, a descontraída caminhada para a outra calçada. Nem se deu conta de que, por pouco, tudo o que estava pensando poderia ser em vão. |
Dezembro 04, 2001
23:02 .. Momentos
Fomos feitos um para o outro. Assim pensavam as duas partes do feliz casal. Quando não estavam juntos, na cabeça de um, o outro, e vice-versa. Contavam os segundos que faltavam para se econtrarem depois do trabalho, coração batia mais forte a cada metro percorrido na direção de seu amor. Encontravam-se, viravam um. Como fosse cada um deles uma das asas de uma borboleta, juntos pareciam estar num vôo inconseqüente, sem destino, já que o mundo era eles e nada mais importava.
O tempo foi passando, com a rotina começaram a construir um casulo. O processo era inevitável, cedo ou tarde todos mudam. Antes leve, o relacionamento passou a se arrastar. O fim parecia cada vez mais próximo. Adiavam ao máximo o tempo do reencontro, a agonia tomava conta do peito quando se aproximavam. Fomos feitos um para o outro? Perguntavam-se descrentes. Como peças de um quebra-cabeças que perderam o encaixe, assim se despediram um dia. E continuaram suas vidas procurando completar, mais uma vez, uma bela imagem. |
19:56 .. Deixa falar
Ontem estava dando uma olhada no site brasileiro do CMI (Centro de Mídia Independente) e li uma nota divulgando a existência de uma página de um canal de IRC nazista da Brasnet. Logo abaixo, uma série de comentários de outros leitores, em sua maioria exigindo a pronta retirada do material discriminatório do ar. Aí entra a pergunta: e a liberdade de expressão, onde fica?
Temos ou não o direito de dizer o que pensamos? Por exemplo: se, mesmo depois de todos os avanços dos estudos de genética, que provaram não haver raças diferentes entre nós humanos, um sujeito sustenta a opinião de que é superior a negros, judeus, azuis de bolinhas amarelas, ou seja lá o que for, quem está fazendo papel de ignorante é ele mesmo. No caso do site nazi citado na matéria, isto era bem evidente. No texto de apresentação, o autor da página se dizia apaixonado por história, política e admirador dos regimes totaliraistas. E parava por aí. O resto, apenas cenas de violência gratuita, como a de uma criança sendo atropelada por um trem, e discursos de Hitler em alemão. Argumentos? Não os vi, nem mesmo os fáceis de quebrar. Anti-propaganda melhor para a "causa", impossível.
A proibição da veiculação de conteúdo deste tipo, a meu ver, parte de um princípio que me incomoda um bocado: o de que, a priori, somos todos imbecís e não sabemos filtrar as informações que recebemos para chegarmos a nossas próprias conclusões. Penso que não é escondendo estas idéias, calando seus defensores, que colocaremos um ponto final no assunto. Mas gerando debates, desconstruindo um a um seus argumentos. Melhor para todos, que podem exercitar o pensamento. Em se tratando de um absurdo grande como a disseminação de ideais facistas, é fácil chamar de nocivo o material. Mas, como nem sempre o "mal" é tão evidente e - principalmente - consensual, torna-se muito complicado decidir o que pode o que não pode ser dito. Censura também é facismo. |
Dezembro 02, 2001
21:42 .. Alívio
Foram duas horas de muita tensão. Todas as unhas roídas, suando mesmo no ar condicionado. Impressionante como um jogo de futebol consegue tirar uma pessoa do sério. Mas a situação era delicada e o Flamengo precisava de todo meu apoio para manter-se na primeira divisão. Pelo menos é nisto que todo torcedor, cego pela paixão, crê numa hora destas. Ateu praticante, cheguei até a enfeitar a mesa do trabalho com imagens de São Judas Tadeu, padroeiro do time e santo das causas impossíveis. Flamengo é coisa séria e numa hora destas não se mede esforços.
Mas no fim tudo acabou bem. Vencemos o Palmeiras por 2 a 0 e nos mantivemos na elite do futebol brasileiro. Em campo, sem virada de mesa ou outro tipo qualquer de tramóia. Para alegria de milhões de torcedores rubro-negros e para calar a boca de um grande número de pessoas que, ao invés de torcer pelo sucesso de suas equipes, fica secando o Mais Querido do Brasil.
Semana que vem o sofrimento continua, mas desta vez a coisa será mais tranqüila. Enfrentaremos o San Lorenzo, da Argentina, pela primeira partida da final da Copa Mercosul. Na pior das hipóteses seremos vice-campeões e levaremos US$ 1 milhão para casa. Mas confio muito na conquista de mais um título internacional pelo Mengão. Sabe como é, deixou chegar... |
Dezembro 01, 2001
08:36 .. Cara nova
O Bonde agora anda por trilhos novos, e está de cara nova também. Gostaria de agradecer - e muito - ao meu grande amigo Daniel Sansão, que um dia desses me deu este layout de presente. Ficou bem bonito, não? Dá até mais vontade de escrever. Espero que todos tenham gostado, aguardo os cometários. |