Rafael Ferreira Rosenhayme pegou o Bonde Andando em 3 de outubro de 1978, no Rio de Janeiro. Desde então vem tentando, sem sucesso, assumir o comando da viagem.
Enquanto isto não acontece, costuma trabalhar como analista de marketing, namorar, beber chope com os amigos, ir ao cinema, ler, ouvir música, sair à noite, ir à praia, fotografar e, de uns tempos para cá, colocar no ciberespaço um pouco daquilo que vê pela janela durante o trajeto.
Esta página não pretende tratar do cotidiano deste ilustre desconhecido, mas de suas impressões e opiniões sobre as coisas que acontecem pelo caminho. Para os que decidiram seguir, boa viagem.
rango Tagliolini al nero di sepia con salmone affumicato Da Brambini
livro Bebê: manual do propritário Joe Borgenicht e Louis Borgenicht
livro Paraísos artificiais Charles Baudelaire
cinema O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias Cao Hamburger
cinema Os Infiltrados Martin Scorsese
show New Order Vivo Rio
cinema Volver Pedro Almodóvar
música Gulag Orkestar Beirut
cinema Pequena Miss Sunshine Jonathan Dayton e Valerie Faris
20:13 .. Frase
Frase da hora para quem trabalhou todos os fins de semana deste mês e sabe que vai trabalhar no próximo:
Que é um peidinho para quem está todo cagado? |
13:21 .. R.I.P A única certeza que temos na vida é a de que um dia morreremos. Todos sabemos disso. Enquanto não chega nossa vez, que tal dar uma olhada em como anda o agitado mundo dos que partem desta para melhor? As últimas notícias, ofertas do setor, como fazer corretamente os rituais para encomendar a alma dos entes queridos, tudo isto você encontra no Funerária Net. |
Novembro 22, 2001
18:08 .. Noel
Por falar em Marcos Alves, vi que o amigo está atrás de discos do Noel Rosa. Em casa só tenho um vinil que herdei de uma tia e posso te emprestar. Mas tenho uma dica para todos que estão na mesma situação que ele: uma caixa com 14 CDs que reúnem todas as gravações originais do músico. Um amigo meu que é vidrado em samba tem a coleção. Quando trabalhava com ele tive a oportunidade de ouvir alguns dos discos da caixa e posso dizer que é satisfação garantida. |
14:47 .. Cão de guarda
Muito chato o que aconteceu com a irmã do meu amigo Marcos, que teve seu carro roubado à noite passada, na Ilha do Governador. Realmente está cada dia mais difícil viver em paz. Como o larápio levou a bolsa da menina com chave e endereço de casa junto com o veículo, a família toda, evidentemente, ficou preocupada e tomou as medidas necessárias. Dentre elas soltar o cachorro, sobre o qual Marcos disse o seguinte: "... um pacato aquita chamado Niki que só serve mesmo para assustar de longe (e urinar nos pneus dos carros na garagem)." Bom, pelo que conheço do animalzinho, ele tem uma serventia muito maior num caso como este. Malves, dono relapso, nunca deu um banho no pobre cão, que deve ter lá seus sete ou oito anos. Quem conhece sabe do que estou falando. Portanto, amigo, pode soltar Niki e ficar tranqüilo. Com aquele perfume de gambá do bichinho, ninguém ousará invadir os domínios de seu lar. |
14:06 .. Analfabetismo e inércia
Enquanto meu cérebro não produz nada interessante para colocar aqui - como se isto já tivesse acontecido um dia -, para o Bonde não ficar parado, deixo aqui um texto de Bertold Brecht. Boa leitura para estes tempos de desmando que nos fazem perder a esperança de que dias melhores virão.
O Analfabeto Político
O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos
acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão,
do peixe, da farinha, do aluguel,
do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro
que se orgulha e estufa o peito
dizendo que odeia a política.
Não sabe o imbecil que
da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado,
o assaltante
e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista, pilantra, o corrupto
e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.
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Novembro 20, 2001
21:09 .. Por falar em latinhas
Hoje recebi um email daqueles com dados não confirmados mas que passamos adiante apenas por que achamos interessantes. Aí vai.
Economia moderna
Se você tivesse comprado há um ano US$1.000,00 em Nortel (ações), hoje você teria US$ 49,00. Agora, se você tivesse comprado há um ano US$1.000,00 em Budweiser (em cerveja, não em ações), tivesse bebido tudo, e vendido as latinhas vazias, hoje você teria US$79,00.
Conclusão: no cenário econômico atual, você perde menos dinheiro ficando sentado e bebendo cerveja o dia inteiro. |
13:35 .. Fauna urbana Outro dia estava parado num engarrafamento. Anda, pára, anda, pára, aquela chatice de sempre. De repente, o cara do carro da frente jogou uma lata de refrigerante pela janela. Como de costume, xinguei logo o sujeito de porco imundo. Com a janela fechada, lógico. Sou avesso a confusões. Indignado, fiquei olhando o cilindro de alumínio rolar até o meio-fio pensando em como pode alguém ter a cara de pau de sujar as ruas da cidade desta forma descarada. Estava sendo tomado por aquele desânimo pessimista que nos abate quando vemos que o próprio povo não colabora para melhorar a sua situação, o lugar onde vive, et cetera. Mas em um instante minha perspectiva mudou totalmente.
Mal a latinha saiu da alça de mira dos pneus dos carros, um sujeito rapidamente a pegou e guardou num saco, onde ela se juntou a dezenas de companheiras. Aí que me toquei: o cara do carro, na verdade, fez uma boa ação. Já repararam quantas pessoas vivem de catar latinhas de alumínio nos grandes centros? Quando você acaba de beber aquela coca-cola e atira a lata pela janela, na verdade, é como estivesse passeando pelo Simba Safari e jogasse um pedaço de pão aos animais. O arroz e feijão de muitas famílias só chegam à mesa por causa das latas que sujeitos sem educação atiram pelas janelas de seus veículos.
Mas os cata-latas não são a única espécie que habita esta selva que são as ruas das cidades grandes. Aqui no Rio de Janeiro, por exemplo, um bando de crianças, qual macacos querendo aparecer para ganhar uma fruta, fazem malabarismo com bolinhas de tênis nos sinais de trânsito em busca de algum trocado. Enquanto isto, os pais destes "miquinhos amestrados", devem estar trepando em galhos para perpertuar a espécie. Mas o pior de tudo é que nem só de dóceis "animaizinhos" é formada esta fauna. Completando a cadeia alimentar, há também os felinos selvagens, gatunos que atacam suas vítimas sem piedade, criando um clima de inseguraça e falta de proteção. Penso que este "desequilíbrio ecológico" só terá fim no dia em que nós pararmos de agir feito cães com rabo entre as pernas e partirmos para o ataque. |
12:12 .. Dica
Para quem mora na Cidade Maravilhosa, um lugar ótimo para procurar aquele disco que você não encontra em loja alguma é a Rua Pedro Lessa, no Centro. Trata-se de uma travessa localizada ao lado da Biblioteca Nacional onde há vários vendedores com suas estantes repletas de raridades em viníl e CD. Alguns deles aceitam encomenda e fazem trocas também. Muitos álbuns nacionais que não foram relançados em formato digital podem ser encotrados lá. Vale uma visita. |
12:01 .. Ouça o disco
Entre 1975 e 76, Tim Maia entrou para a seita Racional, grupo de pessoas que segue os preceitos do livro Universo em Desencanto. Neste período gravou, por sua própria gravadora (Seroma), dois álbuns que levaram o nome da seita. Ao se desligar do grupo o cantor mandou recolher as poucas cópias do disco, que nunca mais foi lançado. Por sorte algumas cópias ainda estão nas prateleiras de alguns fãs.
Aqui no Rio de Janeiro, tem circulado de mão em mão uma cópia em CD dos discos. Desde que o coloquei pela primeira vez para tocar, não consigo mais parar de escutar. Todas as letras falam sobre "energia racional", "mundo superior", e outras coisas referentes aos ideais e crenças da seita. Volta e meia você é convidado por Tim para ler o livro. Em alguns momentos dá até para rir um pouco e você entende porque o músico decidiu recolher os bolachões.
Se Tim Maia estava limitado para criar letras na época, o mesmo não se pode dizer em relação às músicas. Racional é dos melhores álbuns de funk criados no país. Com muito balanço e swing, o disco não deixa nada a desejar se comparado aos dos grandes nomes internacionais do gênero, como Kool and The Gang e George Clinton. Uma linha de baixo bem dançante e uma guitarra com um Wah Wah muito bem usado não te deixam ficar parado. E para melhorar, às vezes uns metais dão um brilho maior às músicas. Para quem ainda não tem o disco, vale o garimpo por aí. |
Novembro 16, 2001
11:15 .. Blogueiros, cuidado
Estava fazendo minha ronda pelos blogues que costumo ler quando me deparei com algo estranho. Fui dar uma lida no Três Redatores e, para minha surpresa, a página foi hackeada. O sujeitinho que fez o trabalho, um tal de Sequela - sem trema mesmo -, além de analfabeto é um tanto contraditório. Dêem uma olhada no texto que o otário colou no lugar da página e me darão razão. Espero que esta moda não pegue. Imagina se vira onda entre hackers ou afins ficar invadindo nossos blogues e detonando tudo? |
Novembro 14, 2001
15:34 .. Povinho
Só pode ser complexo de inferioridade, não vejo outra razão. O jornal esportivo argentino Olé colocou em seu site uma enquete perguntando se a Argentina, já classificada para Copa do Mundo, deveria entregar o jogo de hoje à noite contra o Uruguai para forçar o Brasil a disputar a vaga para o mundial do próximo ano na repescagem, contra a Austrália. E sabem qual foi o resultado? Claro que a maioria dos nossos vizinhos (64%) votou a favor da derrota da própria seleção para colocar água em nosso chope. A matéria é pura provocação. Eles chamam nossos jogadores de "donzelas em perigo", dizem que estamos vivendo um filme de terror, "A hora do espanto" e ainda se dizem nossos "salvadores".
Por que será que eles se preocupam tanto com a gente? É muita inveja. Acho que não ficaremos fora da Copa do Mundo, ainda seremos a única equipe que participou de todos os mundiais. Somos os únicos com quatro títulos. Não, Maradona - grande craque, muito bom mesmo - não é melhor que Pelé. Acho que só mesmo as argentinas valem alguma coisa por lá, e se valem! Tudo bem, a carne deles é melhor que a nossa mesmo, admito. Resta saber até quando eles poderão comer carne. Com o risco-país da Argentina disparando a cada dia, acho que em breve nem grana para imprimir gozações em jornal os caras terão. A vaga para a Copa eles já garantiram há tempos, só quero ver se vão conseguir juntar dinheiro para pagar a passagem para o Japão. Torço para que eles superem logo a crise, antes que ela acabe por nos levar para o inferno também. Mas se o país do tango realmente dançar, lançarei a campanha "adote uma argentina". Minha casa está de portas abertas para receber "las chicas". |
Novembro 13, 2001
14:30 .. A César o que é de César
Ana Pow está indignada com a lavagem cerebral que os americanos estariam fazendo em suas crianças, ensinando nas escolas que a Amazônia e o Pantanal não fazem parte do território brasileiro, dizendo que as duas reservas são áreas de controle internacional. Durante uma conferência no exterior, um jovem perguntou ao ex-governador do Distrito Federal, Cristovão Buarque, o que ele achava da internacionalização da Amazônia. A resposta? Leia aí embaixo, vale a pena.
" De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a Humanidade. Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrarias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as Reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação. Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um País. Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado. Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza especifica, sua historia do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro. Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. Nos seus debates, os atuais candidatos a presidência dos EUA tem defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de comer e de ir a escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não Importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um Patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver. Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa!" |
11:21 .. A inevitável
Enquanto escrevia o texto anterior, lembrei-me de mais uma de Raul Seixas. Segue abaixo a letra de "Canto para minha morte", talvez a minha música preferida dele. Ela faz parte do álbum "Há dez mil anos atrás", de 1974.
Canto para Minha Morte
Eu sei que determinada rua que eu já passei
Não tornará o ouvir o som dos meus passos
Tem uma revista que eu guardo há muitos anos,
E que nunca mais eu vou abrir;
Cada vez que eu me despeço de uma pessoa,
Pode ser que esta pessoa esteja me vendo pela
última vez;
A morte, surda, caminha ao meu lado
E eu não sei em que esquina ela vai me beijar
Com que rosto ela virá?
Será que ela vai deixar eu acabar o que tenho de
fazer?
Ou será que ela vai me pegar no meio de um copo
de uísque,
Na música que eu deixei para compor amanhã,
Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro
no cinzeiro?
Virá antes de eu encontrar a mulher que me
foi destinada,
Que está em algum lugar me esperando
Embora eu ainda não a conheça?
Vou te encontrar
Vestida de cetim
Pois em qualquer lugar
Esperas só por mim
E no teu beijo
Provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo
Mas tenho que encontrar
Vem
Mas demore a chegar
Eu te detesto e amo
Morte, morte, morte que talvez
Seja o segredo desta vida
Qual será a forma da minha morte?
Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida
Existem tantas... Um acidente de carro
O coração que se recusa a bater no próximo minuto
A anestesia mal aplicada
A vida mal vivida
A ferida mal curada
A dor já envelhecida
O câncer já espalhado e ainda escondido
Ou até quem sabe,
O escorregão idiota num dia de sol
E a cabeça no meio fio
Ó morte, tu que és tão forte
Que matas o gato, o rato e o homem
Vista-se com tua mais bela roupa quando vieres
me buscar
Que meu corpo seja cremado
Que minhas cinzas alimentem a erva
E que a erva alimente outro homem como eu;
Porque eu continuarei neste homem
Nos meus filhos
Na palavra rude que eu disse para alguém que eu
não gostava
E até no uísque que eu não terminei de beber
aquela noite... |
11:10 .. Oh vida, oh azar
Dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Como toda regra, esta também tem exceções. Fazendo a habitual ronda pelos sites de notícia, me deparei com uma nota no mínimo curiosa na Globonews.com. Segundo uma agência internacional de notícias, uma das vítimas do desastre com o avião da America Airlines que caiu ontem, em Nova York, era sobrevivente do atentado do dia 11 de setembro. A mulher, coitada, era mesmo um pára-raio de desgraça. E desta vez não teve a sorte de escapar. Esta é a hora em que fazemos aquela pergunta: coincidência ou destino? |
Novembro 12, 2001
23:58 .. Chove chuva
Não pára de chover na Cidade Maravilhosa. Logo na minha folga, quando gostaria de aproveitar um dia de sol na praia, São Pedro não colabora e cobre o céu de nuvens escuras. Mas não há de ser nada. Antes a água que cai do céu no Rio de Janeiro que os aviões que teimam em despencar do firmamento em Nova York. |
Novembro 11, 2001
23:09 .. Maluco Beleza
Citar Raul Seixas no texto anterior me fez entrar num clima um tanto nostálgico. Passei boa parte da minha infância e adolescência ouvindo o roqueiro baiano e hoje fiquei na Usina do Som matando as saudades de Raulzito. Suas músicas embalaram muitos bons momentos da minha vida. Viagens com amigos, rodas de violão, excursão de colégio, coisas daquela época maravilhosa em que passar de ano é nossa grande obrigação.
Mais que isso, Raul foi um dos primeiros contestadores que conheci e, de certa forma, considero importante sua influência no meu jeito de encarar o mundo. Suas letras, principalmente as do início da carreira, mostravam seu descontentamento com muitos dos valores de nossa sociedade e apontavam outros caminhos. Claro que não concordo com muito do que ele disse. Não sou muito chegado no lado místico dele, por exemplo. Mas o que importa é que ele foi dos primeiros que me fez ver que podemos enchergar as coisas com outros olhos, que há muitos caminhos e podemos escolher qual percorrer. Um dono de botequim amigo meu tem pendurada, na parede do banheiro de casa, uma letra de Raul. É bom dar uma lida quando achamos que tudo está uma merda.
Ouro de Tolo Eu devia estar contente
Porque eu tenho um emprego
Sou o dito cidadão respeitável
E ganho quatro mil cruzeiros por mês
Eu devia agradecer ao Senhor
Por ter tido sucesso na vida como artista
Eu devia estar feliz porque
Consegui comprar um Corcel 73
Eu devia estar alegre e satisfeito
Por morar em Ipanema
Depois de ter passado fome por dois anos
Aqui na Cidade Maravilhosa
Eu devia estar sorrindo e orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isto uma grande piada
E um tanto quanto perigosa
Eu devia estar contente
Por ter conseguido tudo que eu quis
Mas confesso abestalhado
Que eu estou decepcionado
Porque não foi fácil conseguir
E agora eu me pergunto: E daí?
E tenho uma porção de coisas grandes
Para conquistar, eu não posso ficar aí parado
Eu devia estar feliz pelo Senhor
Ter me concedido o domingo
Para ir com a família ao jardim zoológico
Dar pipoca aos macacos
Ah, mas que sujeito chato sou eu
Que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro, jornal, tobogã
Eu acho tudo isso um saco
É você olhar no espelho
Se sentir um grandessíssimo idiota
Saber que é humano, ridículo
Limitado, e que só usa dez por cento de sua
cabeça-animal
E você ainda acredita que é um doutor
Padre ou policial
E que está contribuindo com sua parte
Para o nosso belo quadro social
Eu é que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes, esperando a morte chegar
Porque longe das cercas embandeiradas
que separam quintais
No cume calmo do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
Dum disco voador |
19:38 .. Dentadura postiça
Como diria Raulzito, vai cair, vai cair. Infelizmente esta é a sensação que tenho depois de assistir ao jogo do meu querido Flamengo contra a Portuguesa. Sinceramente, não dá para entender o time do Mengão. É muita falta de vergonha na cara daquela galera que ganha milhares de reais por mês para jogar bola. Para manter o nível deste blog e evitar conteúdo ofensivo, este post acaba aqui. |
Novembro 09, 2001
22:04 .. Pai dos burros
Mesmo sabendo que a língua portuguesa não é uma grande preocupação para a maioria dos blogueiros, segue uma dica de dicionário on line. Quando pintar aquela dúvida sobre a grafia de uma palavra, sobre regência verbal ou qualquer outra coisa referente à última flor do Lácio, basta apontar seu navegador para o Michaellis. Além dos verbetes, a versão conectada do dicionário trás também algumas regras de acentuação, emprego de crase, et cetera. Outra opção é o Aurélio, mas o acesso a este é restrito a assinantes UOL. |
21:33 .. Companheiros inseparáveis
Como quase todo mundo que conheço, adoro música. Por isso, tenho como companheiras inseparáveis minhas caixas de CD - duas, com lugar para 12 discos cada. Sempre que saio de casa carrego pelo menos uma delas. Para trilha sonora de mais um dia de trabalho, hoje escolhi os seguintes:
Vivid - Living Colour Californication - Red Hot Chili Peppers Vitalogy - Pearl Jam December´s Children (and Everybody´s) - Rolling Stones The Return of the Space Cowboy - Jamiroquai Buena Vista Social Club - Buena Vista Social Club Cantaloupe Island - Herbie Hancock Ill Communication - Beastie Boys Hello Nasty - Beastie Boys Passarim - Tom Jobim Thelonious Monk - Thelonious Monk A Tábua de Esmeraldas - Jorge Ben |
21:14 .. Chovendo no molhado
Mais uma vez as entidades governamentais pisam na bola nas campanhas anti-drogas. Segundo a Globonews.com, a Prefeitura do Rio de Janeiro irá substituir a atual frase de campanha "Droga é uma merda", que está espalhada pela cidade em diversos painéis, por novas: "Quem faz a sua cabeça é você. Não à droga"; "Quem manda na sua vida é você. Não à droga" e "Quem decide seu destino é você. Não à droga"; e "Em um mundo feliz, não há droga. Você deve dizer não à droga", todas boladas pelo cartunista Ziraldo. Alguém acredita, sinceramente, que uma pessoa sequer vai deixar de fumar um baseado ou cheirar uma carreira só por causa destas "palavras de ordem"? Talvez nas histórias do Menino Maluquinho isto possa acontecer, mas na vida real acho que as novas propagandas não passam de motivo de chacota.
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Novembro 07, 2001
22:11 .. A pátria de chuteiras e cartão de ponto
Por falar em trabalho, torcer para classificação da Seleção Brasileira à Copa do Mundo é muito importante para a economia nacional. Se o Brasil não for disputar o Mundial do próximo ano, que será realizado no Japão e na Coréia, muitos empregos deixarão de ser criados e muita grana vai deixar de rolar no país. São bandeirinhas, tintas para pintar ruas, pacotes de viagens, jornalistas que cobrem o evento, cerveja, et cetera. Para piorar a situação, como somos o país do futebol, grande parte da população ficaria extremamente revoltada se não conseguirmos vaga na competição. Quem deve estar torcendo feito louco por uma vitória do time de Felipão é FHC. Ele deve ter insônia só de pensar que a população pode perder o pão e o circo ao mesmo tempo no próximo ano. |