Rafael Ferreira Rosenhayme pegou o Bonde Andando em 3 de outubro de 1978, no Rio de Janeiro. Desde então vem tentando, sem sucesso, assumir o comando da viagem.
Enquanto isto não acontece, costuma trabalhar como analista de marketing, namorar, beber chope com os amigos, ir ao cinema, ler, ouvir música, sair à noite, ir à praia, fotografar e, de uns tempos para cá, colocar no ciberespaço um pouco daquilo que vê pela janela durante o trajeto.
Esta página não pretende tratar do cotidiano deste ilustre desconhecido, mas de suas impressões e opiniões sobre as coisas que acontecem pelo caminho. Para os que decidiram seguir, boa viagem.
rango Tagliolini al nero di sepia con salmone affumicato Da Brambini
livro Bebê: manual do propritário Joe Borgenicht e Louis Borgenicht
livro Paraísos artificiais Charles Baudelaire
cinema O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias Cao Hamburger
cinema Os Infiltrados Martin Scorsese
show New Order Vivo Rio
cinema Volver Pedro Almodóvar
música Gulag Orkestar Beirut
cinema Pequena Miss Sunshine Jonathan Dayton e Valerie Faris
20:27 .. Melhor emprego do mundo
Trabalho numa redação de esporte onde temos 14 televisões que ficam ligadas o dia inteiro em vários canais diferentes. Uma delas fica o tempo inteiro sintonizada no Sportv, o que, em alguns momentos, me faz sentir uma enorme vontade de mudar de emprego. Explico. Vocês já viram os prgramas Rolé e Pé no Chão? Para quem não conhece, são dois programas protagonizados por mulheres que ficam viajando para lugares paradisíacos aproveitando o que os mesmos oferecem de melhor. Fico me imaginando trabalhando como câmera man, produtor ou qualquer outra coisa num destes programas. Aidéia de passar o dia todo em praias, trilhas muito maneiras, cachoeiras, et cetera, e ainda ser pago por isso, muito me interessa. E ainda por cima na companhia de algumas das melhores mulheres do Brasil. Realmente é para poucos. Bem que sempre me disseram para não comer carne na semana santa. Não acreditei, deu nisso. |
Outubro 24, 2001
17:39 .. Mais dois
Mais dois loucos aderiram à moda do blog, este onanismo "literário" pós-moderno. Gustavo de Almeida - em parceira com Alessandra Archer - e Marlos Mendes colocam no ar, respectivamente, Blogus e Botequim. Pelo que conheço destas duas raras figuras, estes blogues prometem muitas risadas para os que apontarem seus navegadores para eles. Só quero ver se os malandros vão se lembrar que possuem um blog depois de nossas costumeiras carraspanas. |
Outubro 23, 2001
17:20 .. Quem tem seda?
Dia desses fui ao cinema assistir a "O Barato de Grace". O filme conta a história de uma mulher que fica viúva (Grace) e recebe como herança as dívidas do falecido marido. Sem saber como conseguir o dinheiro para pagar o que deve, Grace começa a plantar maconha na estufa que antes usava como orquidário. Leve e com personagens engraçados, o longa seria perfeito para passar na Sessão da Tarde não fosse a enorme quantidade de cannabis que aparece na tela. O final - podem ficar tranqüilos, não vou contar aqui - é que deixa um pouco a desejar. Acho que o filme poderia ter acabado instantes antes, quem assistir vai entender o que digo. |
16:04 .. Balanço
Alguns amigos mais chegados - os únicos que lêem isso aqui - reclamaram do abandono em que se encontra meu Bonde Andando. Reconheço que tenho sido relapso com ele, mas a culpa não é somente minha. Como todos estão cansados de ler em blogues por aí, a vida.com é bastante atribulada e tem tomado boa parte do meu tempo. Mas vou falar apenas da parte que me cabe nesta história.
É comum - se não for me avisem, por favor - repensar a vida quando fazemos aniversário. Aquela história, mais um ano se passou, hora de fazer balanços e projeções. Outubro é meu mês de fazer isto. E desta vez este processo está demorando mais que nunca para acabar. Sei que soa meio piegas e imaturo, mas estou numa fase de transição entre o "mundo jovem" e o "mundo adulto". De início, achei que sofria de um certo complexo de Peter Pan, que não gostaria de crescer e encarar alguns aspectos da vida de gente grande. Mas depois de pensar bastante cheguei à conclusão de que, na verdade, o problema está na distinção destes dois mundos em si.
Uns dizem que ela está na diferença dos preços dos brinquedos. Antes fosse. Acho que ela está mesmo é no direito de brincar, de fantasiar. No mundo adulto - ocidental, capitalista, globalizado - este direito nos é tolido ao mesmo tempo em que sua prática é largamente incentivada. Somos bombardeados por apelos ao prazer, ao lazer, às "coisas boas da vida". Só que há um problema: temos que trabalhar para tê-las. Caímos na muito falada equação "eu trabalho, ganho dinheiro, mas não tenho tempo para gastá-lo". Mas quero fugir deste lugar comum e falar em mandar e obedecer.
Todos os dias, durante toda a vida, somos obrigados a mandar em nós mesmos. Ir de encontro a muitas de nossas vontades para poder se adequar ao mundo em que vivemos. Temos mesmo que, por exemplo, trabalhar para atingir nossos objetivos? Antes disso: até que ponto estes objetivos são mesmo nossos? No final, acabamos por aceitar, é muito mais cômodo e confortável. Felizes são as crianças, que brincam, jogam, obedecem suas vontades. Dizem o que pensam, são honestas, principalmente com elas mesmas. Além disso, encaram a vida com os olhos de quem está vendo tudo pela primeira vez. Vivem o presente como única alternativa possível de tempo; e, na minha opinião, têm razão quando assim fazem. Pena que quando crescemos passamos a nos preocupar demais com o futuro e com o que os outros pensam. Obedecer a si mesmo é mais difícil, mas acho que no final é mais gratificante.
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Outubro 18, 2001
16:24 .. Será?
Parece que um sonho da minha infância será realizado. Na verdade metade de um sonho. O ex-vocalista e baixista do Pink Floyd, Roger Waters, anunciou hoje em Paris que fará shows na América Latina no próximo ano. Claro que a banda toda junta seria o ideal, mas como os caras não se dão nada bem, isto seria impossível. Waters deve trazer a turnê "The Wall" ao Brasil. Claro que já assisti a este show em vídeo algumas vezes e não perderei a oportunidade de presenciar o espetáculo ao vivo. Só de imaginar que poderei presenciar uma das maiores superproduções que o show bizz jamais criou fico ansioso. Como não gosto de cantar vitória antes do tempo e já ouvi este papo de Pink Floyd no Brasil dezenas de vezes, só acreditarei que é verdade depois de ouviros primeiros acordes, nas primeiras filas, claro. |
Outubro 08, 2001
17:06 .. Voltei
Depois de uma semana de muita festa e muito trabalho volto a escrever. Neste meio tempo muita coisa aconteceu: a Seleção venceu uma partida, a guerra começou de verdade, eu fiquei mais velho e, no fundo, no fundo, acho que está tudo na mesma. Se bem que Alberto Gambardella deu uma cara nova ao seu Nada é tão ruim . Acho que só eu mesmo continuo com esta tosca versão do Bonde. Em breve mudanças, prometo. |